Apesar de o homem medieval conhecer e viver em contato com a natureza, as alusões nos textos literários não entram em muitos detalhes sobre ela. Isso se deve ao fato de que sua apreciação do mundo vegetal era fundamentalmente retórica, herdada da Antiguidade e impregnada pela perspectiva cristã. O espaço expressivo da literatura, em grande parte destinado à persuasão, descreve a natureza por meio de metáforas sensoriais e corporais que sempre a vinculam ao ser humano. Neste âmbito, o artigo analisa a sensorialidade dos pomares em duas obras, pertencentes ao género milagroso mas de diferentes centúrias, que recuperam a paisagem retórica do pomar mas conotam-no como paisagem sensorial: Milagros de Nuestra Señora escrito por Gonzalo de Berceo no século XIII, e Los Milagros de Guadalupe, do século XV.