A "Revolução" é uma árvore de vida secular: O Jornal do Brasil e a invenção da democracia e da legalidade do golpe civil-militar e do governo militar (1964-1968)
DOI:
https://doi.org/10.5433/1984-3356.2014v7n14p528Palavras-chave:
Jornal do Brasil, Golpe civil-militar, Governo militar, Legalidade, DemocraciaResumo
A pesquisa vigente pretende analisar os editoriais produzidos pelo Jornal do Brasil, representante da grande imprensa, durante o golpe civil-militar até 1968, com o objetivo de compreender as justificativas em torno do golpe civil-militar e do governo militar diante das mudanças que ocorrem no discurso desse periódico diante dos eventos do cotidiano político. Ao considerar que o Jornal do Brasil defendeu a intervenção no governo constitucional de Goulart conjectura-se que ele continua a apoiar o governo militar. O periódico destaca que a democracia deveria ser preservada por meio das instituições democráticas e da legalidade junto com o poder militar. Mesmo destacando que a democracia não existia o JB afirmava que o governo militar possuía a intenção de restabelecê-la. Ele afirma que a continuidade da legalidade e do funcionamento das instituições democráticas garantiria o retorno democrático. A opinião editorial se desloca entre o adesismo e a crítica, contudo se apresenta sempre disposta a orientar as ações políticas do governo. Portanto, o Jornal do Brasil colaborou com a tentativa do grupo militar de legitimar-se para a sociedade por meio da sustentação do discurso democrático e legalista. Mas em muitos momentos o JB apontou farsas políticas do governo militar como a Constituição de 1967, as eleições indiretas, o imobilismo governamental, assim como, acentuou que as promessas reformistas de 1964 não foram cumpridas. Estas reformas que visavam beneficiar o grupo empresarial que o JB integrava e representava. Ou seja, ele defende o discurso democrático, mas elabora a concepção de que um regime arbitrário pudesse aperfeiçoar a democracia e o desenvolvimento capitalista.Downloads
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