Abstract
O controle de lesões odontoestomatológicas contribui diretamente na saúde, sobrevivência e bem-estar dos animais cativos. Este estudo objetivou investigar a ocorrência de afecções orais em carnívoros selvagens neotropicais mantidos no zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso - Cuiabá. Foram avaliadas 31 cavidades orais de três famílias (Felidae, Canidae e Procyonidae), no período de julho de 2012 a junho de 2013, sendo doze quatis (Nasua nasua), três mãos-peladas (Procyon cancrivorus), dois lobos-guarás (Chrysocyon brachyurus), seis lobinhos (Cerdocyon thous), uma raposa (Pseudalopex vetulus), três jaguatiricas (Leopardus pardalis), uma onça-parda (Puma concolor) e três gatos selvagens (Puma yaguaroundi, Leopardus wiedii e Leopardus colocolo). As lesões mais frequentes foram ausências dentárias 21/31 (67,7%), fraturas dentárias 20/31 (64,5%) e desgastes dentários 19/31 (61,3%), as quais foram sugestivas de traumas, proveniente de estresse. Foram ainda observados com menor expressão, acúmulo de cálculo dentário grau I em 18/31 (58%), cárie 1/31 (3,2%), corpo estranho 2/31 (6,4%), fístula orofacial 1/31 (3,2%), hiperplasia na mucosa oral 1/31 (3,2%), escurecimento dental 3/31 (9,7%) e escoriações em tecidos moles 4/31 (12,9%). Logo, foi possível concluir que estratégias de enriquecimento ambiental e rotina de avaliação odontoestomatológica são importantes para garantir o bem-estar desses animais, reduzindo as consequências negativas locais e sistêmicas das lesões orais. A dieta utilizada mostrou-se eficiente na prevenção de doença periodontal, sugerindo a manutenção da mesma na alimentação dos animais cativos da instituição.

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