Conhecimento e mendicância como epicentro do embate entre Boaventura de Bagnoregio e Guilherme de Santo Amor no século XIII
DOI:
https://doi.org/10.5433/1984-3356.2019v12n24p95Palavras-chave:
Intelectuais, Memória, Universidade, Franciscanismo, MendicânciaResumo
O objetivo desse artigo é refletir sobre o embate travado na Universidade de Paris entre os mestres seculares e os mestres mendicantes. Essa querela ocorreu porque os seculares sentiramse ameaçados com a entrada dos mendicantes na Universidade. Para realizar essa reflexão, elegemos como fontes para o estudo o escrito de Guillherme de Santo Amor intitulado Tractatus brevis de periculis novissimorum temporum (Breve tratado sobre os perigos dos últimos tempos) como representante dos mestres seculares e três escritos de Boaventura de Bagnoregio: Cuestiones disputadas sobre la Perfeccion Evangélica, A perfeição da vida e Itenerário da Mente para Deus. No epicentro dessa disputa estavam a mendicância e o conhecimento. A partir dessas duas questões, os contentadores escolheram como arma de combate a pena e a Universidade tornou-se a liça. Procuraremos explicitar que, por meio desses escritos, poderemos compreender as mudanças sociais e teóricas que ocorriam no Ocidente medieval, colocando na ordem do dia uma nova visão de mundo, da qual os mendicantes eram seus expositores. Observamos, também, que nossas reflexões consideram os escritos da perspectiva da história social e teremos a memória como nosso fio condutor.Downloads
Referências
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