Do palacete ao cortiço: o emprego do ladrilho nas construções paulistanas da passagem do século XIX para o século XX
DOI:
https://doi.org/10.5433/1984-3356.2014v7n14p348Palavras-chave:
Ladrilho hidráulico, Palacete, Cortiço, São PauloResumo
Este artigo trata do emprego do ladrilho hidráulico (um tipo de piso que resulta da mistura de cimento Portland com areia, água, pó de mármore e de granito, e que apresenta desenhos coloridos de formas geométricas ou florais) nas construções paulistanas da passagem do século XIX para o século XX - mais especificamente das últimas décadas do século XIX e das primeiras décadas do século XX. O objetivo é demonstrar como esse material construtivo, inicialmente empregado como símbolo de status nas edificações mais ricas da capital paulista (particularmente em alguns dos antigos palacetes paulistanos), aos poucos se difunde, podendo ser encontrado também em outros tipos de construção, e mesmo em antigas casas operárias e sobrados transformados em cortiços, associando-se ainda os diferentes graus de complexidade dos desenhos do ladrilho ao nível de renda dos proprietários originais - quanto mais complexo o desenho, mais elevado o preço de cada peça e, portanto, mais rico o proprietário da construção. Destaca-se também o modo como esse material produzido artesanalmente continua sendo valorizado por arquitetos e outros profissionais da área na atualidade, em função da riqueza de seus desenhos, de seu colorido e das diversas possibilidades de composição das peças.Downloads
Referências
AMERICANO, Jorge. São Paulo nesse tempo (1915-1935). São Paulo: Melhoramentos, 1962.
ARAGÃO, Solange de. Ensaio sobre a casa brasileira do século XIX. São Paulo: Edgard Blücher, 2011.
ARAGÃO, Solange de. Ensaio sobre o jardim. São Paulo: Global, 2008.
BECKER, A. W.; VUOLO, C. M. O mago dos ladrilhos hidráulicos (Depoimento). Revista Pós-São Paulo, v.16, n.25, p.27-32, jun. 2009.
BENCLOWICZ, Carla Milano. Prelúdio modernista: construindo a habitação operária em São Paulo. 1989. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP, São Paulo, 1989.
BLAY, Eva. Eu não tenho onde morar: vilas operárias na cidade de São Paulo. São Paulo: Nobel, 1985.
CARPINTÉRO, Marisa Varanda Teixeira. Imagens do conforto: a casa operária nas primeiras décadas do século XX em São Paulo. In: BRESCIANI, Stella (Org.). Imagens da cidade. São Paulo: Marco Zero: FAPESP, 1993.
CORDEIRO, Simone Lucena (Org.). Os cortiços de Santa Ifigênia: sanitarismo e urbanização. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: Arquivo Público do Estado de São Paulo, 2010.
FREYRE, Gilberto. Ordem e progresso. 6.ed. São Paulo: Global, 2004.
FREYRE, Gilberto. Sobrados e mucambos. 16. ed. São Paulo: Global, 2006.
HOMEM, Maria Cecília Naclério. O palacete paulistano e outras formas urbanas de morar da elite cafeeira: 1867-1918. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
LEMOS, Carlos. Os primeiros cortiços paulistanos. In: SAMPAIO, Maria Ruth Amaral de (Coord.). Habitação e cidade. São Paulo: FAUUSP: FAPESP, 1998. p.9-38.
MACHADO, Lúcio Gomes. Apresentação para a exposição: Se esta rua fosse minha. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, 2005.
MARQUES, J. de S. Estudo do processo de produção de ladrilhos hidráulicos. Londrina: UEL, 2012.
MAWE, J. Viagens ao Interior do Brasil. São Paulo: Ed.Universidade de São Paulo, 1978. (Coleção Reconquista do Brasil, v.33).
PICCINI, Andréa. Cortiços na cidade: conceito e preconceito na reestruturação do centro urbano da São Paulo. 2. ed. São Paulo: Annablume, 2004.
REIS FILHO. Nestor Goulart. Quadro da arquitetura no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1970.
SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem à província de São Paulo (1816-1822). Trad. Regina Régis Junqueira. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1978.
SCHMIDT, Afonso. Aventuras de Indalécio. São Paulo: Clube do Livro, 1951.
SPIX, Johann Baptist Von; MARTIUS, Carl Friedrich Philipp Von. Viagem pelo Brasil (1817-1820). Trad. Lúcia Furquim Lahmeyer. São Paulo: Melhoramentos, 1938. Primeira tradução para o português, em comemoração ao seu centenário.
VAUTHIER, Louis Léger. Cartas a César Daly (1853). Arquitetura Civil I. São Paulo: FAU-USP, IPHAN, 1975. p.27-94.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2014 Antíteses

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista Antíteses adota política de acesso aberto e incentiva a ampla circulação do conhecimento científico. Os autores mantêm os direitos autorais sobre seus trabalhos publicados no periódico.
Os artigos são publicados sob a licença Creative Commons Attribution (CC BY 4.0), que permite compartilhar (copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato) e adaptar (remixar, transformar e criar a partir do material), inclusive para fins comerciais, desde que seja devidamente atribuída a autoria.
Ao submeter um manuscrito à revista, os autores autorizam a publicação na Revista Antíteses e concordam com a sua publicização em nosso periódico, mantendo a titularidade dos direitos autorais sobre o trabalho.
A Revista Antíteses incentiva os autores a depositarem e divulgarem seus trabalhos publicados em repositórios institucionais, repositórios temáticos, páginas pessoais ou redes acadêmicas, como forma de ampliar a visibilidade e o impacto da produção científica. Nesses casos, recomenda-se que seja preferencialmente indicado o link de acesso ao artigo diretamente na página da revista, garantindo a identificação da publicação original.
Essa política busca promover a circulação do conhecimento científico, respeitando os princípios do acesso aberto e da atribuição adequada da autoria.
A Revista Antíteses oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público contribui para a democratização do saber





