Malacofauna bentônica do Lago Igapó, Londrina (Paraná, Brasil), com ênfase na espécie invasora mexilhão-dourado Limnoperna fortunei (Dunker, 1857)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1679-0367.2021v42n1p3

Palavras-chave:

Bacia do Alto Rio Paraná, Invasão biológica, Lago urbano, Mollusca, Ribeirão Cambé

Resumo

Objetivo: quantificar a abundância e a biomassa de moluscos bentônicos no Lago Igapó I, Londrina, Paraná, Brasil.
Material e Métodos: foram realizadas duas coletas no Lago Igapó I, a primeira em junho de 2015 e a segunda em fevereiro de 2016. O substrato (incluindo os moluscos incrustados) foi amostrado utilizando um quadrante com área de 1 m2, onde 10 amostragens foram realizadas entre três pontos distintos do lago. Os moluscos capturados foram anestesiados e eutanasiados por superexposição ao gelo. Posteriormente, o material foi quantificado em abundância (n) e biomassa total (kg), e armazenado em tambores contendo formol 4% tamponado com carbonato de cálcio.
Resultados: foram identificadas cinco espécies de moluscos, sendo três não nativas (Limnoperna fortunei, Corbicula fluminea e Melanoides tuberculata), uma nativa (Aylacostoma cf. tenuilabris) e um indivíduo do gênero Pomacea. Em ambas as coletas, L. fortunei compreendeu aproximadamente 90% da abundância e biomassa total. A partir da densidade média de L. fortunei e a área total do Lago Igapó I, estimou-se que a população total de mexilhões-dourados pode chegar a 633 milhões de indivíduos, correspondendo a 638 toneladas de biomassa.
Conclusão: é evidente a dominância da espécie invasora L. fortunei no Lago Igapó I, onde esta pode causar diversos efeitos negativos, como alterações no ciclo de nutrientes, redução de espécies nativas, introdução de parasitos, bioacumulação de metais pesados na cadeia trófica, diminuição da qualidade da água para uso humano e obstrução de encanamentos com risco de alagamentos. Desta forma, recomenda-se uma imediata ação de manejo neste ambiente para retirada de indivíduos da espécie, com consequente redução de sua abundância.



Biografia do Autor

João Daniel Ferraz, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Mestrado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, Paraná, Brasil

Mateus Vieira Gois, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Graduandos em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil

Marcelo Hideki Shigaki Yabu, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Graduando em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil

Diego Azevedo Zoccal Garcia, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Mestrado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil

Ana Carolina Vizintim Marques, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Doutoranda em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Armando César Rodrigues Casimiro, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Botucatu, São Paulo, Brasil.

Ana Paula Vidotto-Magnoni, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Doutorado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatu, São Paulo, Brasil. Professora Adjunta do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, Centro de Ciências Biológicas, da Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil.

Mário Luís Orsi, Universidade Estadual de Londrina - UEL

Doutorado em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatu, São Paulo, Brasil.

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Publicado

2021-02-02

Como Citar

1.
Ferraz JD, Vieira Gois M, Yabu MHS, Garcia DAZ, Marques ACV, Casimiro ACR, et al. Malacofauna bentônica do Lago Igapó, Londrina (Paraná, Brasil), com ênfase na espécie invasora mexilhão-dourado Limnoperna fortunei (Dunker, 1857). Semin. Cienc. Biol. Saude [Internet]. 2º de fevereiro de 2021 [citado 20º de junho de 2024];42(1):3-14. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/39761

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Artigos