Do boato à lenda. Comunicação informal e fronteiras identitárias nas origens da controvérsia donatista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5433/1984-3356.2015v8n16p111

Palavras-chave:

Memória social, Identidade, Controvérsia donatista

Resumo

Muito já se escreveu sobre as origens da controvérsia donatista como uma memória reconstruída em contextos posteriores ou, ao contrário, como um conjunto de fatos, que embora obscuros, poderiam ser reconstituídos pela crítica documental. Pouco se considera, porém, as ambiguidades que já estavam presentes desde o início nas percepções dos cristãos africanos e que contribuíram para a construção dessas memórias divergentes. O objetivo deste artigo é avaliar os diferentes usos que os rumores, os boatos e as conversas informais tiveram na eclosão da controvérsia donatista e entender o processo que elevou essas histórias de estatuto ainda incerto à condição de crenças que justificavam e delimitavam as fronteiras identitárias entre os cristãos africanos.

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Biografia do Autor

Julio Cesar Magalhães de Oliveira, Universidade de São Paulo

Mestre em História Social pela Universidade Estadual de Campinas. Doutor em História e Arqueologia do Mundo Antigo pela Université Paris Ouest Nanterre La Défense. Professor de História Antiga da Universidade de São Paulo.

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Publicado

18-01-2016

Como Citar

OLIVEIRA, J. C. M. de. Do boato à lenda. Comunicação informal e fronteiras identitárias nas origens da controvérsia donatista. Antíteses, [S. l.], v. 8, n. 16, p. 111–129, 2016. DOI: 10.5433/1984-3356.2015v8n16p111. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses/article/view/22733. Acesso em: 19 jun. 2024.