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Informação
e Cidadania
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* Bacharel em Ciências Sociais com especialização em Gestão no Terceiro Setor. É gerente da organização sem fins lucrativos Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Implantes. bemartins@terra.com.br |
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RESUMO: PALAVRAS CHAVE :
Informação, cidadania, democracia. ABSTRACT: KEY WORDS: Information, citizenship, democracy. |
Introdução
Nos
anos 90, o boom da internet viabilizado pelas estruturas de redes
telefônicas, proporcionou ao acesso a esse serviço um status estratégico
para o desenvolvimento social, econômico e político das nações. Para Rifkin, J (2001), estamos na Era do Acesso, na qual
produtores e compradores vão dando lugar a fornecedores e usuários, gerando uma
mudança profunda nas relações sociais.
Cada vez mais ouvimos falar da informação [2] , da sua explosão e da efervescência de tecnologias super modernas que ficam obsoletas rapidamente, tais são os investimentos em inovação para munir essa revolução. Porém, no Brasil muitas vezes informações relevantes que necessitamos não são encontradas, por não estarem disponibilizadas ou por não estarem sistematizadas, o que dificulta o seu acesso.
Parece que o mundo da tecnologia, do
acesso fácil à informação, pertence a uma minoria dominante, que compete
acirradamente na esfera econômica. O alto nível de competição do mercado, faz com que as empresas invistam fortunas para se manter
atualizadas tecnologicamente e garantir a ampliação constante dos espaços que
ocupam no mundo globalizado, alcançados através do conhecimento acumulado que
as suas estruturas lhes permitiram conquistar. Porém, as informações que
produzem, na maioria das vezes, são usadas por elas mesmas, para a melhoria das
suas capacitações e também canalizadas nas suas campanhas publicitárias.
No que concerne
aos órgãos públicos, podemos dizer que produzem as informações de base e
estatísticas para a sua governabilidade, as quais são socializadas e
disponibilizadas à sociedade, inclusive por exigência da lei. Essas informações
são essenciais para o desenvolvimento social, político e econômico do país mas, por serem muito abrangentes, não são voltadas para
necessidades regionais nem para públicos específicos. Muitas vezes ainda, são
disponibilizadas em sistemas não muito ágeis para buscas mais apuradas. Sabemos
que há esforços para a modernização dos sistemas governamentais em meios
eletrônicos visando uma administração mais transparente e eficaz, porém, as
mudanças são muito lentas.
A sociedade civil organizada também
produz um volume de informações enorme. Entretanto, a grande diversidade de
perfis institucionais que abarca, faz com que a informação seja organizada e
disseminada de uma forma não planejada, perdendo a objetividade da sua
utilização.
Diante desse quadro, nos perguntamos:
como fazer para assegurar que os benefícios da “sociedade da informação”
cheguem realmente a todos os cidadãos?
O autor afirma que os sistemas de
informações disponíveis no Brasil não são feitos para a participação cidadã.
Não havendo um processo sistêmico, o que ocorre “não é a falta de informação, mas
sim da sua racionalidade” (DOWBOR: 2003).O
volume de informações desnecessárias e sensacionalistas é muito grande. A
informação socialmente organizada, porém, é escassa. Ela deve ser direcionada
aos diversos atores sociais que participam do processo de desenvolvimento
social e, portanto, organizada para esta finalidade. Isto permitiria que os
cidadãos, empresas, funcionários públicos e sociedade civil tomassem atitudes e
decisões bem informadas.
Segundo Dowbor,
uma quantidade significativa de informações relevantes já existe, dentre os
exemplos cita o Mapa da Exclusão Social, e os serviços de informação do
IBGE, SEADE e DIEESE. O desafio, portanto, é desenvolver metodologias de
sistematização, aperfeiçoar capacidades gerenciais, para possibilitar o acesso
da informação certa no momento certo.
Mas
qual é a informação certa a que o autor se refere? São as informações para a
cidadania e o desenvolvimento sustentável, ou seja, as que visam uma melhor
qualidade de vida, de maneira sustentável e com democracia. Somente
cidadãos bem informados têm condições de exigir de fato os seus direitos. “A informação aparece como uma
condição chave da construção de processos democráticos de tomadas de decisão” (DOWBOR: 2003).O caminho a seguir
compreende claramente que a informação desejada é para a sociedade civil, para as pessoas que
a compõem. O Estado e a empresa são meios, e devem atender às necessidades dos
cidadãos, que por sua vez, bem informados, poderão exigir a qualidade dos
produtos e serviços prestados à sociedade.
O autor traduz de forma inusitada
como os papéis são trocados quando se trata da relação entre a sociedade civil
de um lado e Estado e empresas do outro, quanto à produção e apropriação da
informação. Normalmente a produção de informação é vista como um processo
construído “de baixo para cima”: A sociedade civil fornece as informações para
o Estado e as empresas, que se colocam num nível superior ao dela, excluindo os
seus membros de participarem do processo decisório nas suas esferas. “O eixo central, portanto consiste em
entender que é a sociedade civil no seu conjunto que deve ser adequadamente
informada, para que possa participar ativamente das decisões sobre os seus
destinos”. (DOWBOR: 2003).
O papel dos diversos atores sociais: Estado, Empresa e Sociedade Civil são evidenciadas pelo
autor, que vê, porém a falta de articulação entre os mesmos como uma questão a
ser resolvida e chama a atenção para a necessidade de se criar uma coesão entre
os mesmos.
O processo de construção da informação
para a cidadania e o desenvolvimento sustentável é bastante complexo, pois
todos os segmentos da sociedade estão envolvidos. Integrar as partes em rede,
levar a informação organizada para os cidadãos é uma proposta desafiante, mas
para o autor é vital dentro da perspectiva da sociedade do conhecimento.
Para a sua melhor compreensão, podemos
relacionar a reflexão aqui apresentada sobre Informação para a cidadania, com a
linha do pensamento do Desenvolvimento Social Local (DSL), da qual Ladislau Dowbor é um dos
expoentes, em nível nacional e internacional, que foi incluída nas abordagens
sobre o Terceiro Setor, na dissertação de mestrado de Deivis
Perez Bispo dos Santos (SANTOS: 2004).
Deivis explica que os objetivos do DS estão voltados para a
construção de democracias mais participativas, para a melhoria da qualidade de
vida dos cidadãos e para o desenvolvimento sustentável das comunidades.
O seu foco central é o desenvolvimento
social local, como uma via possível para se combater as conseqüências da
economia globalizada, que diminuiu consideravelmente os espaços de participação
e as conquistas dos direitos dos cidadãos, segundo Henzel
Henderson (apud SANTOS:2004)
uma dos principais teóricos dessa proposta.
A cultura da cooperação é outro ponto
fundamental do Desenvolvimento Social Local, e que é entendida como a
cooperação efetiva entre os diversos segmentos sociais: governo, empresas e
sociedade civil, que juntos são responsáveis pelo desenvolvimento social.
Deivis ainda se refere a uma questão crucial, colocada por Dowbor, que é a necessidade de se reconstruir ou estruturar
a relação entre a sociedade civil e as macro-organizações, tanto estatais
quanto privadas, que nos dirigem. É interessante para a nossa análise a
proposta de Dowbor sobre o papel do terceiro setor
como articulador e organizador das forças sociais. Daí a sua importância dentro do processo de
construção da informação para a cidadania e o desenvolvimento sustentável na
articulação para a integração das redes de informação já existentes,
aproveitando as capacidades instaladas no país, visando o seu aperfeiçoamento e
melhor aproveitamento.
A importância de se compartilhar o
conhecimento, visando o seu aprimoramento e o seu uso por todos os cidadãos também
é uma preocupação de Hélio da Silva, na sua tese de doutorado “O Marketing
da Era da Comunicação”, que enfatiza a necessidade de se fortalecer o uso
das tecnologias para viabilizar uma “administração mercadológica sustentável”.
(SILVA: 2003)
Todos devem participar dos esforços para o desenvolvimento
de redes que possibilitem a criação do conhecimento coletivo no lugar de um
sistema unilateral que seleciona e controla a informação que deve ser
circulada. Trata-se do grande desafio para se harmonizar um sistema global e
local que atenda aos interesses de toda a sociedade.
A maneira como a informação circula atualmente na sociedade,
com um alto nível de desenvolvimento tecnológico, pode ser comparada a forma de
circulação da mercadoria no sistema capitalista, que determina o que deve ser
produzido e por quem deve ser consumido. No seu estudo, Helio Silva reconhece
essa analogia entre a informação e a mercadoria e propõe a reordenação da
dinâmica mercadológica a fim de atender os interesses da coletividade:
Deve-se reordenar a dinâmica
mercadológica para, em lugar de privilegiar interesses individuais, atender
demandas coletivas. A isto denominamos administração mercadológica baseada na
cultura da comunicação. O advento de uma cultura da comunicação se apóia em um
sistema comunicacional circular e colaborativo que permita a
construção do conhecimento por meio de trocas em que todos ganhem. Nesse caso,
não existe um ator único que manipula a informação de acordo com seu interesse
por meio de signos: o foco é o conjunto da sociedade. Isto significa permitir
que a informação circule de forma viva e orgânica e que todos os atores insiram
e retirem conteúdos.(SILVA: 2003; p. 52).
Rede é um conjunto de nós
interconectados. Nó é o ponto no qual a curva se entrecorta. Concretamente o
que um nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos. São mercados de
bolsas de valores e suas centrais de serviços auxiliares avançados na rede de
fluxos financeiros globais. São conselhos nacionais de ministros e comissários
europeus da rede política que governa a União Européia. São campos de coca de
papoula, laboratório clandestino, pistas de aterrissagem secretas, gangues de
rua, instituições financeiras para lavagem de dinheiro, na rede de tráfico de
drogas que invade as economias, sociedades e estados no mundo inteiro. São
sistemas de televisão, estúdios de entretenimento, meios de comunicação
gráfica, equipes para cobertura jornalística e equipamentos móveis gerando,
transmitindo e recebendo sinais na rede global da nova mídia no âmago da
expressão cultural e da opinião pública, na era da informação. (CASTELLS,
1999:498)
Prosseguindo ainda pela visão de Castells, o autor aponta o fundamento ético da empresa em
rede, criando inclusive para a sua análise a terminologia “espírito do informacionalismo”, em homenagem a Max Weber, referindo-se
a sua obra clássica “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. O
essencial é compreender que na era da informação não deve haver espaço para
imposições de direitos e obrigações, pois a amplitude cultural e de valores, o
dinâmico intercâmbio de conhecimento, o modo e a rapidez para tomada de
decisões estratégicas, o alcance de distâncias sem fronteiras, enfim os fatores
que estão envolvidos nesse novo padrão de relacionamento em rede, conduzem a um
código cultural sem rigidez.
Mas , sem dúvida, há um código
cultural comum nos diversos mecanismos da empresa em rede. É composto de muitas
culturas, valores e projetos que passam pelas mentes e informam as estratégias
dos vários participantes das redes, mudando no mesmo ritmo que os membros da
rede e seguindo a transformação organizacional e cultural das unidades da rede.
É de fato uma cultura, mas uma cultura do efêmero, uma cultura de cada decisão
estratégica, uma colcha de retalhos de experiências e interesses, em vez de uma
carta de direitos e obrigações (CASTELLS: 2003; p.258)
Reconhecer a nova dimensão da informação na sociedade
contemporânea nos remete a uma complexa reflexão. Para Gabriel Cohn
a informação sempre foi importante para a reprodução do sistema
capitalista, a diferença agora é que a informação tem um papel de "sobredeterminação" do conjunto, uma vez que influencia
na "modelagem" do próprio sistema e não apenas na sua reprodução.
A concepção da informação hoje está
além de considerá-la um produto, o relevante é a "seleção dos elementos
que se integrarão à forma do objeto e lhe conferirão valor como ente dotado de
significado" (COHN: 2001). Mesmo se configurando numa mercadoria a
informação nesse contexto está sob o comando de outra lógica, a da diferença e
distinção - a lógica da linguagem, em oposição à lógica da similaridade e
equivalência, até então presente no sistema capitalista. Tudo que está fora do
sistema de significados é desconsiderado e excluído. "O recorte da diferença"
é o fator primordial nessa visão sobre a informação.
Antes de falar de conteúdos, configurações,
significados cabe procurar a operação fundamental, aquela sem a qual não há
onde dirigir o olhar: o recorte da diferença. Nesse sentido, é a própria diferença
de que se automatiza, dispensando qualquer referência a conteúdos a serem
ordenados. Tudo se resume na capacidade de recortar o mundo (o conjunto
ilimitado e indiferenciado de objetos e eventos) e de estabelecer a diferença
entre o que importa e o indiferente (no sentido exato do termo). (COHN: 2001;
p.6)
A Gestão da
Informação nas Organizações
Como as organizações devem buscar e
usar a informação neste novo contexto social "sobredeterminado"
pela informação, é uma preocupação quando pensamos no gerenciamento das
informações com as quais lidamos na nossa rotina diária de trabalho.
Este tema é abordado por Chum Wei Choo,
que imprime à sua teoria sobre a organização do conhecimento, uma visão
holística.
Na organização do conhecimento, os
serviços de informação não se limitam a responder o que as pessoas querem
saber, mas sim o porque e como elas usam a informação. Esses serviços são
entendidos como “atividades que agregam valor à informação”, e desta forma
contribuem para que os membros da organização tomem melhores decisões e tenham
melhor percepção das situações. Para o autor, a organização do conhecimento
“é aquela que possui informações e
conhecimentos que a tornam bem informada e capaz de percepção e discernimento”
(WEI CHOO:1998)
Como as organizações buscam e usam a
informação é uma pergunta difícil, uma vez que a informação permeia quase todas
as atividades das mesmas. É preciso entender os processos organizacionais e
humanos que levam a transformação da informação em percepção, conhecimento e
ação.
Segundo Wei Choo, estudos atuais em administração e teoria
organizacional distinguem três arenas sobre o uso da informação que têm papel
estratégico no desenvolvimento das empresas, são elas: criação do significado,
construção do conhecimento e tomada de decisões.
Na organização do conhecimento é
ressaltada em primeiro plano a importância em compreender que as três arenas
citadas são atividades que se
desenvolvem de maneira interligadas, dentro de um processo social. A visão
holística da busca e uso da informação proposta pelo autor analisa como elas se
alimentam mutuamente, não devendo, assim, serem consideradas
processos independentes de informação organizacional, como normalmente
são.
Num nível geral, podemos
visualizar a criação de significado, a construção do conhecimento e a tomada de
decisões como três camadas concêntricas, em que cada camada interna produz os
fluxos de informação para a camada externa adjacente... A informação flui do
ambiente exterior e é
progressivamente assimilada para permitir a ação da empresa. (WEI CHOO:1998; p.30)
Primeiro o significado da informação é
construído socialmente, através da interpretação sobre o ambiente da
organização. Nesta fase, de criação do
significado, as pessoas devem filtrar e selecionar qual informação é
importante, e através das suas experiências e troca de idéias chegarem a um
consenso sobre a sua interpretação. O principal desafio é resolver a
ambigüidade das informações do ambiente externo. Nesta visão, na qual o conhecimento é considerado
uma atividade, e não um objeto fora do contexto organizacional e das ralações
humanas, a pergunta é diferente. Ao invés de que conhecimento a organização
precisa adquirir?,
perguntamos “como
estão mudando os sistemas de conhecimento e de ação, e como a organização deve
responder a isso?
Na próxima etapa, a construção do conhecimento, o processo
de informação se dá através da conversão do conhecimento. Os indivíduos através
do diálogo ou de meios de comunicação formais, trocam os seus conhecimentos e
articulam o saber intuitivo.
A qualidade do conhecimento construído
será definida pela diversidade de capacitações que irá gerar - desenvolvimento
de novos produtos e processos, inovações e a disseminação do conhecimento,
inclusive para o ambiente externo à organização. Vale mencionar que o
conhecimento construído pela organização também é resultado do seu
relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros, a que o autor se refere
como conexão do conhecimento.
A transformação do
conhecimento em valor não acontece somente dentro da organização. A interação
com fornecedores, parceiros e clientes é importante para a sua realização.
Na tomada
de decisão, após o processamento e a análise da informação, com parâmetros
em critérios estabelecidos por consenso, vão se delinear as opções que a
organização têm para decidir por um único caminho estratégico. Quando as três
formas de uso da informação aqui apresentadas se complementam e se
inter-relacionam, a organização é apta a manter um ciclo contínuo,
que o autor denomina ciclo do
conhecimento.
A organização do conhecimento liga os três processos
de uso estratégico da informação - a criação de significado, a construção do
conhecimento e a tomada de decisões - num ciclo contínuo de aprendizagem e
adaptação que podemos chamar de ciclo do conhecimento (WEI CHOO: 1998; 51)
Apesar da teoria de Wei Choo focar as organizações
empresariais, devemos considerar a importância da sua visão para as
organizações sem fins lucrativos.
Compreender o conhecimento como uma atividade se opõe à idéia de entendê-lo
como um objeto, que o autor cita
como a “coisificação
do conhecimento” que pressupõe que o mesmo possa ser fornecido por
terceiros, especialistas ou extraído de documentos, como uma aquisição para
responder algo que a organização precisa saber.
Em oposição a essa interpretação, o
conhecimento organizacional deve ser compreendido como fruto de um processo de
uso da informação através do qual a organização “constrói significados
comuns sobre suas ações e sua identidade; descobre, partilha e aplica novos
conhecimentos; e empreende ações padronizadas por meio da busca, avaliação e
seleção de alternativas” (WEI CHOO:1998;p.
26).
Portanto, a idéia do uso da informação
somente para atender necessidades, não permite o seu entendimento mais
abrangente o que enriquece os processos de aprendizagem, inovação e ação.
Considerações
Finais
Evidenciando
o papel do terceiro setor como articulador das redes de informação já
existentes, no processo de construção da informação para a cidadania, sugerido
por Dowbor, vale destacar que no Brasil as ONG’s têm um lugar de liderança no provimento de acesso
comunitário à Internet, que vem sendo realizado desde a década de 80, através
da parceria entre o setor acadêmico e essas organizações.
Várias ONG’s trabalham para disseminar a
informática e internet entre as instituições do terceiro setor, visando
o seu alcance pela população mais carente,
de acordo com a publicação Sociedade da informação no Brasil.
O desenvolvimento histórico da Internet no Brasil foi
marcado, desde seus primórdios no final da década de 80, por estreita aliança
entre o setor acadêmico e as ONGs,
destacando-se a cooperação entre a RNP e o Ibase, que
culminou com o esforço de abertura de serviços Internet para quaisquer
interessados, ocorrida em 1995. Mais recentemente, várias ONGs se têm dedicado a esforços de disseminação de
informática e Internet entre instituições do Terceiro Setor e especialmente
entre a população mais carente. Dentre elas, vale destacar o VivaRio, o CDI e a Rits. (TAKAHASHI: 2000)
Outras organizações
que contribuem para sensibilizar os setores públicos na implantação das suas
políticas poderiam ser citadas através de importantes iniciativas para se
evitar que o Brasil se transforme num país de “info-excluídos”.
Projetos
governamentais, como por exemplo, a implantação dos Telecentros,
coordenada pelo MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, também direcionam seus esforços para dar suporte e infra-estrutura
para a adequação da tecnologia e os conteúdos da informação às diversidades
sociais e culturais dos usuários brasileiros.
Portanto, muitas
são as iniciativas que desbravaram e estão pavimentando esse caminho, muitas
vezes em condições precárias que exigiram e exigem muita determinação.
Como buscar,
produzir, organizar, controlar, divulgar e disseminar a informação corretamente
e de maneira ágil, não é tarefa fácil nem para as grandes empresas do mercado.
No Brasil, com a sua dimensão geográfica e desigualdades sociais, a Informação
encontra muitos obstáculos em qualquer setor, os quais se agravam quando
voltados para atividades de natureza social – como escassez de verba, de profissionais
capacitados, falta de apoio político e
características dos usuários bem mais complexas.
Para que a
informação cumpra o seu papel de agente transformador na consolidação de uma
sociedade com mais qualidade de vida, desenvolvimento sustentável e democracia,
estimular a capacitação em gestão da informação das ONGs é de suma importância :
primeiramente para a própria
instituição que deve aprofundar o seu conhecimento para aprimorar as suas atividades de produção e
transferência de informação;
também nos seus trabalhos junto às
comunidades, o maior conhecimento da área é imprescindível para o melhor aproveitamento
das infra-estruturas instaladas para o acesso às tecnologias de informação,
como nas escolas e espaços públicos. Portanto, as ONGs têm o papel de multiplicadores desse
conhecimento aos cidadãos;
Um terceiro ponto relevante é o fato de que, se a
instituição está melhor preparada para gerir a
informação, também será mais exigente nas suas demandas pela mesma.
As iniciativas para
a universalização da informação envolvem ações por parte do Estado, do setor
empresarial e da sociedade civil, não esquecendo que além das ONG’s, também têm papel de destaque nesse processo as
instituições de ensino e os meios de comunicação. A
construção de uma sociedade com cidadãos informados e participativos requer
a união desses setores na direção de um sistema produtivo e eficaz, que
articule as informações, fomentando o conhecimento da sociedade e,
conseqüentemente, influenciando o seu potencial de desenvolvimento.
É um constante desafio, mas é certo que o
Brasil já possui no seu universo de organizações um acúmulo de conhecimento e
força que pode, gradativamente, viabilizar a criação de um sistema de
informação que efetivamente contribua para a consolidação da cidadania e do
desenvolvimento sustentável do país.
BARRETO, Aldo de Albuquerque. A Eficiência Técnica e Econômica e a Viabilidade de Produtos e
Serviços de Informação.–., Brasília,v.25,n.3,
p.405-414, set/dez, 1996.
COHN,
Gabriel. A Forma da Sociedade da Informação. In: DOWBOR, Ladislau; IANNI, Octavio; RESENDE, Paulo Edigar; SILVA, Helio (orgs). Desafios
da Comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001. Pág.3
DOWBOR, Ladislau. Informação para a Cidadania e o
Desenvolvimento Sustentável, 2003.
DOWBOR, Ladislau. Resenha (2003) de: RIFKIN, J. o.SP:Makron
Books.2001.Sociedade e Construção da Cidadania
Contemporânea.SP.Revista Unicsul,Ano 8,nº 10, p.273-275, dez/2003 aqui você deve citar
RIFKIN: 2003 e não Dawbor,–
além disso no texto você citou 2001).
MARTINS, Cibele e all. Indicadores Sociais: Construção e
Participação da Comunidade. Trabalho de Conclusão do Curso de
Pós-Graduação Latu-Sensu em Gestão no Terceiro
Setor. Faculdade Senac de Educação Ambiental. São Paulo, abril/2005.
SANTOS, Deivis Perez Bispo. Formação
de Educadores para o Terceiro Setor. Dissertação de Mestrado
, 2004
TAKAHASHI, Tadao. Sociedade da
Informação no Brasil – Livro Verde. Edição BR: Ministério da Ciência e
Tecnologia, Brasília, 2000.
WEI CHOO, CHUN. A Organização do Conhecimento – Como as
Organizações usam a Informação para criar significado, construir conhecimento e
tomar decisões. Editora Senac, São
Paulo, 1998.
[1]
Este
artigo é uma adaptação do texto de minha autoria inserido no Trabalho de Conclusão
de Curso de Pós-Graduação em Gestão no Terceiro Setor da Faculdade Senac de
Educação Ambiental, intitulado Indicadores Sociais: Construção e
Participação da Comunidade. O referido TCC foi uma produção coletiva partilhada
com Letícia Beringhs Baroni,
Miriam Ribeiro Biancardi e Suely Fontes Valente,
sob a orientação do Prof. Dr. Helio César Silva. (MARTINS: 2005).
[2] Há muitas definições para informação. Para o nosso propósito pode ser adequada a de Aldo Barreto, : “estruturas significantes com a competência de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo, ou na sociedade”. Podemos assim estabelecer, ainda segundo Barreto, “uma relação entre informação e conhecimento, que só se realiza, se a informação é percebida e aceita como tal, colocando o indivíduo em um estágio melhor, consciente consigo mesmo e dentro do mundo onde se realiza a sua odisséia individual”. (BARRETO: 1996)