O Perfil da Gestão de Instituições da Rede Sócio Assistencial, de Confissão Evangélica, no Município de Londrina.
Cláudia Neves da Silva *
Selma Frossard Costa **

* Assistente social, mestre em História (UNESP ), professora do Departamento de Serviço Social/UEL
** Assistente Social, mestre em Serviço Social (UFRJ), doutora em Educação (USP-SP ), professora do Departamento de Serviço Social/UEL 

RESUMO:
Este texto discute a Gestão Institucional de instituições não governamentais da rede socioassistencial, de confissão evangélica, no município de Londrina. Traz uma breve reflexão introdutória sobre a gradativa inserção de instituições de confissão evangélica na esfera do atendimento social, atuando principalmente nas áreas da Assistência Social, Educação e Saúde, com enfoque na cidade de Londrina. Tem como intenção principal fornecer dados para uma análise de como se dá o processo de gestão organizacional no contexto destas organizações, projetos e serviços socioassistenciais, apontando perspectivas e estratégias de intervenção que sejam superadoras dos limites identificados e fortalecedores dos avanços constatados. Para tanto aborda, inicialmente o conceito do que vem a ser e caracterizar uma prática socioassistencial no contexto contemporâneo, com base nas diretrizes e ordenamento legal; traça o perfil das instituições socioassistenciais de confissão evangélica na cidade de Londrina e da forma como são gerenciadas e, conclui refletindo sobre os desafios e as estratégias necessárias à superação do dualismo entre a perspectiva do “serviço ao próximo” e do trabalho técnico e profissional.

PALAVRAS CHAVE : rede socioassistencial, confissão evangélica, perfil institucional, terceiro setor.

THE INSTITUTIONS ADMINISTRATION PROFILE OF THE EVANGELICAN CONFESSION NET, IN LONDRINA COUNTY

ABSTRACT:
This text discusses the non-governmental institutions of institutional administration in the evangelical confession net, in Londrina County . It brings a brief introduction reflection about the increasing insertion of evangelical confession institutions in the social service sphere, acting mainly in the Social Work area, Education and Health, focusing Londrina City . The main purpose is to provide data for analysis of how the context organizational administration process is carried out, project and social assistance services, showing perspectives and intervention strategies that can overcome the identified and straightening limits of the advances verified. For that it approaches, initially, the concept of may become and characterize a socialassisence practice in the contemporary context, based on the directions and legal order; it shows the profile about the challenges and the necessary strategies to overcome the dualism between the perspective of “serve your neighbor” and the technical and professional work.

KEY WORDS: socialassistance net, evangelical confession, institutional profile, and third sector.


INTRODUÇÃO

A cada ano, constatamos o fato de as igrejas evangélicas ganharem maior visibilidade social, diversificando suas ações e, por conseqüência, ocasionando mudanças no campo religioso brasileiro. Provocam reverberações em todos os setores da sociedade, como a ampliação da presença na esfera pública, tanto na arena política, como nos meios de comunicação de massa, bem como no envolvimento com ações sociais, implantando programas, projetos e/ou serviços que integram a rede socioassistencial [1], voltados a diferentes áreas e segmentos.

O fortalecimento de organizações do terceiro setor [2], o acirramento da questão social e o despertamento das igrejas para uma atuação contextualizada, tendo em vista o suprimento de necessidades sociais, além das espirituais, e o alcance de um maior número de fiéis, podem ser indicadores explicativos desse envolvimento crescente de organizações religiosas, no caso as igrejas evangélicas, em atividades de cunho socioassistencial.

Ao longo dos últimos 30 anos houve um aumento significativo do número de instituições assistenciais de confissão evangélica [3] em Londrina. São instituições voltadas para o atendimento à criança, adolescente, famílias em situação de extrema pobreza, idosos, dependentes químicos. Todavia, este crescimento vem acompanhado de dificuldades na superação de um serviço assistencialista em direção ao profissionalismo e técnica do trabalho social realizado, primando pela qualidade social do atendimento. Por que esta situação ocorre? O que pode ser feito para superá-la?

Esse crescimento quantitativo das instituições sócio-assistenciais de confissão evangélica, a partir da década de 1970, ocorreu em um período em que Londrina, pólo econômico da região norte do Paraná, sofreu as conseqüências de mudanças na política agrícola adotada no país. A cafeicultura deixou de ser a base econômica, já que o mercado internacional necessitava de novos produtos agrícolas, como a soja, o milho e o trigo, e era preciso atender a essa nova demanda.

Se, por um lado, o poder público incentivou a erradicação do café, por outro, ele não criou alternativas para fixar esta mão-de-obra disponível no campo. Houve como resultado dessa situação, o êxodo rural e o agravamento dos problemas sociais na cidade, como o crescimento do desemprego, a falta de moradias para os novos moradores, os quais foram morar em favelas, o aumento do número de crianças nas ruas, de idosos abandonados, o agravamento da violência, gerado por maior número de furtos, assaltos e homicídios (ASARI & TUMA: 1978, p. 75).

As indústrias aqui instaladas e o setor de serviços – comércio, bancos, escolas, hospitais - necessitavam de mão-de-obra, tornando Londrina um atrativo para os trabalhadores de cidades vizinhas; mas, isso não foi o suficiente para evitar que muitos fossem para o setor informal ou ficassem desempregados, buscando alternativas de sobrevivência. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, o desenvolvimento econômico e demográfico da cidade e região, o crescimento do desemprego entre os trabalhadores, a falta de moradia, de saúde e de educação tornaram-se uma preocupação entre autoridades e moradores.

Foi neste momento que se deu o surgimento de inúmeras instituições assistenciais em Londrina, tanto por iniciativa de denominações religiosas, como de pessoas sem vínculo religioso. E as igrejas evangélicas também responderam, em alguma medida, a estas demandas.

Entre 1970 e 1982, eram 6 instituições assistenciais de confissão evangélica voltadas para o atendimento à criança e famílias em situação de extrema pobreza e que recebiam recursos da então Secretaria Municipal de Bem Estar Social. Eram instituições ligadas às Igrejas Metodista, Adventista, Batista, Assembléia de Deus e Casa de Oração para todos os Povos (Ministério Sagradas Missões). Se as demais desenvolviam atividades assistenciais, não podemos afirmar, visto que nos limitamos a verificar o orçamento da Prefeitura Municipal de Londrina, no qual estava previsto o repasse de recursos para as instituições assistenciais no período de 1970 a 1989.

Se nas décadas de 1970 até o final dos anos 80 verificamos uma pequena presença de instituições assistenciais de confissão evangélica em Londrina, atualmente observamos uma mudança nessa situação. Acreditamos não ser por coincidência o fato de haver um aumento destas instituições em um momento em que também cresce o número de fiéis evangélicos.

De acordo com dados da Secretaria de Assistência Social do município de Londrina e de levantamento realizado por COSTA (2004), em 2002 havia 223 instituições socioassistenciais não-governamentais em Londrina, sendo que 39 (18%) eram instituições e projetos de origem evangélica. Destas, 26 mantinham convênio com a Secretaria Municipal de Assistência Social, estando também cadastradas no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) e, portanto, parceiras do poder público no desenvolvimento de ações assistenciais junto aos segmentos de criança e adolescente, idoso e famílias em situação de extrema pobreza .

É importante destacarmos que o cadastro no CMAS é o primeiro passo para o estabelecimento de parceria com o poder público e posterior acesso aos recursos financeiros que este repassa às instituições prestadoras de serviços socioassistenciais. A s entidades que não atendam aos critérios estabelecidos, não estão aptas a receberem recurso público.

A partir de 1988, quando da promulgação da Constituição Federal ainda vigente, e do estabelecimento da assistência social foi como política pública, as instituições socioassistenciais, governamentais e não governamentais, passaram a pautar-se pelo princípio do direito. No entanto, no decorrer de todos esses anos, tanto a consolidação da assistência social como política pública tem sido dificultada pelo sucateamento de verbas governamentais destinadas a esse fim, como as instituições, inclusive as de confissão evangélica, que atuam nessa área, têm apresentado dificuldades de adaptarem-se a essa legislação.

Em decorrência, a gestão institucional passou a ser objeto de estudos e investigações na busca de novos modelos para o gerenciamento de instituições da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atuam em atividades de interesse público (as instituições que atuam no terceiro setor, dentre estas as de confissão evangélica). Tem se observado e apreendido que, cada vez mais há a necessidade de serem gerenciadas de forma técnica e profissional, com ênfase na participação de todas as pessoas envolvidas; trata-se da gestão participativa.

A tradicional estrutura centralizadora das instituições da sociedade civil, implantadas com um perfil extremamente hierárquico, está vivendo momento de ruptura e de busca de novos modelos gerenciais, já caracterizados pela legislação social brasileira (participação, descentralização, parceria, horizontalidade, etc.) Mas, "a grande realidade é que não sabemos como gerir estas novas áreas, pois os instrumentos de gestão correspondentes ainda estão engatinhando." (DOWBOR, 1999:36)

O grande desafio em matéria de reforma do setor social é o de superar as limitações do perfil atual, caracterizado pela existência de organizações isoladas, pouco flexíveis, centralizadoras, hostis à participação real, e desprovidas de carreiras gerenciais orgânicas, e de gerentes especializados na questão social. (KLIKSBERG, 1997)

No âmbito das instituições do terceiro setor, historicamente, imperou o modelo assistencialista, de atendimento às necessidades básicas e pontuais de alimentação, abrigo, distribuição de remédios e de vestuários, etc. Gerenciadas por um grupo de voluntários, organizados juridicamente em sua maioria sob a forma de associação [4], e administradas internamente por uma pessoa de confiança do grupo diretor, essas instituições atravessaram anos e décadas. Romper com esse modelo tradicional de organização e funcionamento significa superá-lo, instituindo estruturas mais flexíveis, dinâmicas e participativas, capacitadas administrativa e tecnicamente, de modo a responder às necessidades e exigências que têm sido colocadas a essas instituições. Significa pensar a instituição como capaz de contribuir autenticamente com o processo de promoção social de famílias que, não raras vezes, contam com aquela organização como o único recurso social a que realmente têm acesso.

Frente a esse referencial nos propusemos a uma investigação sobre qual tem sido a ação socioassistencial das instituições de confissão evangélica em Londrina? E mais do que isso, como tem sido?

Frente a essas perguntas percebemos a necessidade de refletirmos, inicialmente, sobre o exercício da prática socioassistencial que nos leve a pensar sobre o desafio dessa prática ser atualizada e contextualizada.

Para tanto, nos detivemos na descrição e caracterização, ainda que não aprofundada, do histórico e perfil das instituições socioassistenciais de confissão evangélica que atuam na cidade de Londrina, resgatando a forma como são organizadas e gerenciadas. Essa síntese é fruto de um projeto de pesquisa que coordenamos na Universidade Estadual de Londrina, com a participação de doze alunos do curso de Serviço Social [5].

Com base em resultados desta Pesquisa , apontamos como tem se dado o processo de implantação e gestão de instituições socioassistenciais de confissão evangélica, no município de Londrina. Acreditamos que estaremos contribuindo com dados qualitativos para o conhecimento dessa realidade trazendo perspectivas e estratégias de intervenção que contribuam para a contínua qualificação social do trabalho já realizado e de outros ainda em processo de gestação e implantação.

Portanto, temos como intenção principal fornecer dados para uma análise de como se dá o processo de gestão organizacional no contexto das organizações, projetos e serviços socioassistenciais, de confissão evangélica, em Londrina, apontando perspectivas e estratégias de intervenção que sejam superadoras dos limites identificados e fortalecedores dos avanços constatados.

1. A PRÁTICA SOCIOASSISTENCIAL.

O significado do que vem a ser “prática socioassistencial” se faz importante nesse momento para caminharmos em nossas reflexões. É necessário transcendermos a concepção de que a ação social se efetiva através do simples assistencialismo que não promove mudanças e nem desenvolvimento social, educacional, moral, emocional e espiritual.

A prática assistencialista, constituída de ações voltadas à pobreza, existe desde as origens das sociedades modernas, associada ao trabalho filantrópico, voluntário e espontâneo, e sempre esteve presente no meio social, assumida com paternalismo e baseada na benemerência e caridade, marginalizando quem dela necessita e negando às camadas mais pobres da população sua condição de cidadania.

Um novo conceito de assistência social foi traçado primeiramente pela Constituição Federal de 1988 e, em 1993, aprofundado pela Lei Orgânica da Assistência Social. Nesta nova perspectiva, ela se opõe à prática assistencialista, caracterizando-se como política pública: direito de cidadania e dever do Estado. O cidadão sai da condição subalterna de "assistido", assumindo a posição de "usuário" dessa Política. Ao ser definida legalmente como política pública, é direito de cidadania e está voltada para a promoção e desenvolvimento humano, e não para o alívio de situações pontuais, sem efetivamente provocar mudanças e transformar realidades.

Como política pública, a assistência social supera a conotação assistencialista e assume a perspectiva de ações voltadas para transformações efetivas de realidades opressoras e excludentes de direitos sociais. É a prática caracterizada como ação socioassistencial.

As instituições não governamentais, instituídas e gerenciadas pela sociedade civil, dentre estas as de confissão evangélica, têm sido instadas a assumirem essa nova perspectiva, redefinindo e reordenando a forma de gestão institucional: com técnica e profissionalismo. É a passagem de uma prática marcada historicamente pelo assistencialismo, na perspectiva da caridade, da “coisificação” do “assistido” para uma prática que atua na perspectiva do acesso aos direitos sociais, do reconhecimento de que são sujeitos em situação de exclusão social ou em vulnerabilidade social. Mesmo que ações pontuais sejam necessárias e supridas através da concessão de cestas básicas, remédios e vestuários serão superadas por ações que facilitem a promoção social, o desenvolvimento humano e social, a educação, o emprego, a rentabilidade. Enfim, a garantia do exercício da cidadania.

Tendo como referência essa perspectiva do que seja uma ação socioassistencial, buscamos conhecer o perfil das instituições, de confissão evangélica, que desenvolvem trabalho social na cidade de Londrina enfocando a forma de gerenciamento que nelas prevalece nos dias atuais.

2. AS INSTITUIÇÕES SÓCIO-ASSISTENCIAIS DE CONFISSÃO EVANGÉLICA NA CIDADE DE LONDRINA: PERFIL E GESTÃO.

A inserção de organizações de confissão evangélica, vinculadas ou não a denominações religiosas, no campo da ação social , buscando realizar serviços, projetos e/ou programas de atendimento socioassistencial a diferentes segmentos, tem sido crescente no decorrer dos últimos anos.

Prevalecem organizações voltadas para atendimentos nas áreas da Assistência Social, Saúde e Educação, priorizando crianças de 0 a 6 anos, dependência química, idosos e famílias em situação de pobreza.

Em pesquisa realizada no decorrer de 2002 pelo Serviço de Evangelização para a América Latina (SEPAL) [6], ficou evidenciado que, de 152 igrejas, cujos líderes foram entrevistadas na cidade de Londrina, 83% afirmaram que desenvolviam ou estavam envolvidas em algum projeto social. Predominavam atividades assistenciais de distribuição de cestas básicas a famílias carentes e atendimento na área da educação infantil (creches e pré-escolas). Naquele ano existiam na cidade de Londrina, 73 instituições de educação infantil voltadas para atendimento a crianças em situação de risco pessoal e social, das quais 11 eram governamentais e 62 não governamentais (terceiro setor). Destas, 15 (24%) eram de confissão evangélica, estando vinculadas, direta ou indiretamente, a uma igreja. Em seguida vem a atuação na área da dependência química, indicando que das 11 instituições existentes, em 2002, na cidade de Londrina, 6 (54%) eram de orientação evangélica.

No universo dessas organizações, existem aquelas que fazem parte da história de Londrina porque foram constituídas ainda no início da colonização da região; outras surgiram ao longo do processo de desenvolvimento da cidade, marcado não apenas pelo crescimento econômico e desenvolvimento regional, mas também pelas condições de miséria e pobreza decorrentes do processo de urbanização; e outras, ainda, são muito recentes.

No sentido de realizarmos uma análise investigativa sobre as ações das instituições aqui enfocadas, realizamos no decorrer de 2005 uma pesquisa voltada especificamente a estas instituições. Dentro do Projeto de Pesquisa “As Ações Assistenciais Promovidas pelas Igrejas Pentecostais e Neo-Pentecostais do Município de Londrina e suas Expressões na Política da Assistência Social – 1973- 2003 decidimos realizar o subprojeto “A Gestão Institucional das Organizações Socioassistenciais, de Confissão Evangélica, no Município de Londrina, frente às Atuais Demandas, nas Áreas da Assistência Social, Educação e Saúde”. O objetivo foi o de proceder a um estudo investigativo sobre o processo de implantação e gestão destas organizações. As seguintes características foram consideradas para a definição do universo de pesquisa: de confissão evangélica; sem fins econômicos; organizadas jurídica e administrativamente; com participação de voluntários; atuantes em causas de interesse público.

Para tanto, estabelecemos como fontes iniciais de busca as instituições cadastradas no Conselho Municipal de Assistência Social, no Conselho Municipal de Educação e no Conselho Municipal Anti-drogas por considerarmos que nestes se concentram o maior e mais significativo número de instituições dessa natureza. Com os dados fornecidos por esses Conselhos e respectivas Secretarias Municipais, chegamos a um total de 138 instituições que atuam no município, compondo a rede sócio-assistencial do terceiro setor. Essas são mantenedoras e executoras de 169 serviços que se dividem, basicamente, em educação infantil, apoio sócio-educativo, ensino profissional, abrigo a crianças e adolescentes, abrigo a idosos, defesas de direitos e enfrentamento à pobreza.

Dentre as 138 mantenedoras, 21 (15.2%) são de confissão evangélica, ligadas diretamente ou não, a uma denominação religiosa, executoras de 31 serviços, equivalendo a 18.3% do total de serviços executados pelas instituições não-governamentais que atuam no município de Londrina nas áreas da Assistência Social, Educação e Saúde.

Portanto, o universo da pesquisa delimitou-se em 21 instituições mantenedoras de 31 serviços e programas.

Aos alunos participantes da Pesquisa foi distribuída a responsabilidade de visitas a estas instituições, considerando, dentre outros fatores, o interesse por determinado serviço ou programa, a disponibilidade de tempo e a facilidade de acesso ao endereço da instituição.

Ao final, 12 instituições mantenedoras foram entrevistadas (8.7% do total das instituições mapeadas e 57% do total que são de confissão evangélica), implicando em 21 serviços e programas (12.4% do total e 67.7% das que têm confissão evangélica).

Nesse sentido, a Pesquisa abrangeu um número significativo de instituições evangélicas, assim divididas: 11 (52%) centros de educação infantil – 0 a 6 anos; 04 (19%) casas-abrigo para crianças e adolescentes; 02 (9,5%) de apoio sócio-educativo – 7 a 14 anos; 01 (4,8%) abrigo para idoso; 01 (4.8%) comunidade terapêutica – dependência química; 01 (4.8%) para atendimento a crianças com lesão cerebral; 01 (4.8%) de proteção à criança vítima de exploração sexual – projeto sentinela.

Dentre as 12 instituições mantenedoras pesquisadas, 04 (33%) desenvolvem mais de um serviço e programas. A primeira delas divide suas ações em dois programas, sendo um voltado para o apoio sócio-educativo e o outro para o atendimento, em comunidade terapêutica, à dependência química, instalados em diferentes regiões da cidade. A segunda instituição também atende através de dois programas, sendo um centro de educação infantil e o outro programa de apoio sócio-educativo. A terceira instituição desenvolve seis programas, localizados em diferentes endereços, divididos em três casas-abrigo, dois centros de educação infantil e o projeto sentinela. E, finalmente, a quarta delas, mantém três centros de educação infantil, em diferentes bairros da cidade.

Nas entrevistas com os diretores das instituições, verificamos que há uma sincera e forte vontade em realizar um trabalho social que gere resultados quantitativos e qualitativos. Mas, em contrapartida, estão presentes as dificuldades para atender às determinações legais e para a realização de um trabalho que prime pelo profissionalismo e pela técnica.

Dentre as instituições pesquisadas prevalecem aquelas que foram fundadas há menos de 30 anos. Apenas uma foi fundada em 1958; duas foram fundadas em 1966 e 1967, período que Londrina recebeu grande número de homens, mulheres, jovens, crianças e idosos provenientes do campo e cidades vizinhas. O atendimento a crianças e pré-adolescentes ( 0 a 12 anos) prevalece nessas instituições, pois 83.3% atuam na educação infantil e em programas de apoio sócio-educativo. Não por mera coincidência, mas sim por ser o segmento que apresenta maior predominância nos bairros e conjuntos e que precisam de atenção integral, visto que seus responsáveis precisam trabalhar, e na maioria das vezes não têm com quem deixá-las.

Todas possuem certificado de utilidade pública, com exceção daquelas fundadas há menos de um ano. Tal certificado lhes garante isenção de impostos. Também possuem cadastros nos conselhos municipais, o que significa que atendem minimamente as exigências das leis que regem os direitos sociais, como a educação e assistência social, garantindo-lhes assim, acessos aos recursos públicos, novamente destacando que aquelas fundadas há menos de um ano não possuem registro em Conselhos.

Todas afirmaram possuir coordenação administrativa, mas, pudemos observar que esta coordenação está, em sua grande maioria, centralizada nas mãos do presidente da instituição que, em alguns casos é o pastor da igreja a que a instituição está vinculada. Aliás, em vários casos ficou evidenciado que várias outras atividades são desenvolvidas por pessoas que respondem pela coordenação administrativa, muitas delas, sem formação profissional para isso. Quanto à coordenação técnica, que seria a responsável pela elaboração, execução e gerenciamento dos projetos sociais realizados junto à população usuária, 58.3% das instituições afirmaram não possuir um profissional habilitado para este fim, sendo o próprio coordenador administrativo quem desenvolve esta ação. Tal fato constata o quanto as instituições necessitam caminhar para que haja maior profissionalismo em suas atividades.

Também verificamos que 66.6% contam em seus quadros com voluntários de diferentes áreas, geralmente ligadas a igrejas evangélicas. A dedicação e o protagonismo dessas pessoas que, em muitos casos, assumiram a instituição desde a sua formação, imbuídas pelo desejo de servir, em uma sociedade tão marcada por injustiças sociais, tem sido a grande marca e o grande sustentáculo dessas instituições. Pois, muitas delas são de confissão evangélica, mas não contam com a Denominação a qual estão vinculadas sustentando-as financeiramente, com orçamentos definidos e repassados mês a mês.

São pessoas que, movidas pelo amor e pela convicção de serem “chamadas” para esse ministério se envolvem e agem, em muitos casos, intuitivamente, buscando conhecimentos sobre como desenvolver o trabalho social a que se propõem, da melhor maneira possível. Mas, como afirmamos anteriormente, para desenvolver um trabalho de qualidade social e contextualizado, há a necessidade da superação de práticas que não primem pelo profissionalismo e pela técnica. Há uma legislação social forte e bem estruturada que parte do reconhecimento do “necessitado” enquanto sujeito de direitos. Hoje, toda e qualquer instituição socioassistencial é instada a cumprir os princípios e diretrizes ali preconizadas. Perceber o outro como sujeito, nesse sentido, é desenvolver o trabalho socioassistencial de modo a atingir pessoas e famílias para que, conscientes de sua humanidade sejam restaurados em sua dignidade humana, sendo, conseqüentemente restauradores de suas famílias e da sociedade, como sujeitos históricos e políticos.

A ausência de uma coordenação técnica resulta no fato de que apenas 33.3% das instituições possuem um plano de gestão. O que é isto? Qual a sua importância? É por meio do plano de gestão que as instituições explicitam sua visão, missão e princípios de trabalho, levantam os principais problemas e dificuldades existentes e que necessitam ser enfrentados, determinam os objetivos e as metas a serem alcançadas para a superação das dificuldades vivenciadas, e definem os projetos sociais a serem colocados em prática. Se este plano não é elaborado, de forma participativa, as pessoas que lá trabalham, podem ser movidas pela vontade de servir, mas realizam uma prática que, muitas vezes, cai no ativismo, caracterizado por muitas ações, mas poucos resultados.

Verificamos, por exemplo, que os centros de educação infantil, que atendem crianças de 0 a 6 anos de idade, possuem apenas o projeto pedagógico, voltadas para os alunos, o que é muito importante e se constitui em uma exigência da Secretaria Municipal de Educação, mas não é um plano de gestão. O plano de gestão parte da visão da totalidade institucional. A instituição é pensada integralmente e é desafiada a assumir a reflexão de qual é o seu papel no contexto histórico e social no qual está inserida para, então, serem definidos os diferentes projetos sociais que deverão ser executados. A ação planejada diferencia-se da ação improvisada. Aquela é caracterizada pela reflexão, decisão e revisão; esta, pelo ativismo.

Quanto à participação em instâncias comunitárias, apenas os centros de educação infantil têm uma forma mais organizada de integração através da AFEL (Associação das Entidades Filantrópicas de Londrina), antigo Fórum das Creches. Porém, a grande maioria não participa dos conselhos comunitários ligados aos segmentos que atendem, demonstrando que as instituições atuam de forma isolada, não dividindo suas experiências e dificuldades com as demais instituições.

No que se refere a média de gastos das instituições, nossas suspeitas foram confirmadas: a receita não cobre os gastos mensais, exigindo das instituições verdadeiros “malabarismos”, como a realização de promoções, “pizzadas”, jantares, rifas e outras atividades para arrecadar recursos financeiros, tendo em vista que o que o poder público municipal repassa está aquém das necessidades das instituições. Nenhuma instituição recebe recurso do poder público estadual e 50% recebem da União, para projetos assistenciais coordenados pelo governo federal. Todas declararam receber doações de pessoas físicas, bem como gêneros alimentícios e roupas, de forma mensal ou eventual. Novamente registramos que as pessoas, de modo geral, se solidarizam com a situação de carência da população, contribuindo de alguma forma para minorar esta situação.

Quanto a parcerias com pessoas físicas, 66.6% das instituições pesquisadas mantêm parcerias com empresas, recebendo gêneros e recursos financeiros; e 66.6% declararam que recebem ajuda das respectivas igrejas, seja em roupas, alimentos ou dinheiro. Quanto aos organismos internacionais, apenas 41.6% declararam receber algum recurso financeiro; na verdade, igrejas de países do primeiro mundo.

Quanto aos motivos que levaram à fundação das instituições chama-nos a atenção que 50% se deu por iniciativa de uma pessoa e não da Igreja da qual é membro. Sensibilizada pela condição de extrema pobreza material da população, decidiu por criar uma instituição de atenção aos problemas que se apresentavam ao seu redor. Uma prática baseada no desejo e na vontade de servir aquele que se encontra em condições subumana, muito abaixo do que é minimamente aceitável.

Apenas quatro instituições surgiram por iniciativa de um grupo de pessoas. As denominações eram diversas, havendo predominância da Igreja Presbiteriana e Presbiteriana Independente.

Atualmente, 58.3% das igrejas as quais as instituições estão vinculadas denominacionalmente contribuem com a manutenção da instituição. As demais não mantêm vínculo formal; isto é, as igrejas não repassam de forma sistemática, recursos para sua manutenção.

No que refere a parcerias com outras instituições do mesmo segmento, 66.6% afirmam que mantêm esse contato e parceria, enquanto as demais não, o que provoca, para estas, certo isolamento da instituição, não facilitando o crescimento, a troca de experiências e o mais importante, o fortalecimento político das organizações socioassistencial de confissão evangélica no município.

Dessa forma, problemas que, muitas vezes são comuns a essas instituições, cujas respostas poderiam ser encontradas em conjunto, acabam sendo resolvidos, quando o são, com dificuldades e isoladamente. Além disso, haveria a possibilidade de trocar idéias, experiências, encontrando soluções que melhor atendessem às necessidades da população usuária.

Houve uma quase unanimidade quanto à avaliação da parceria da instituição com a política pública do setor: há precariedade. Cerca de 58.3% declararam que as principais dificuldades concentram-se no repasse de recurso financeiro. Aqueles que declararam ser satisfatória, afirmam que há uma assessoria por parte do poder público, possibilitando à instituição implementar com maior eficácia a política do setor.

Quanto aos avanços apontados, estes se deram principalmente na qualificação de seus funcionários, no reconhecimento da comunidade, na reforma e adequação do espaço físico, como determina a lei. Percebe-se desta forma, que as instituições vêm procurando se adequar às exigências da lei, e mais do que isto, procurando implantar um serviço de qualidade à população carente de bens e serviços. No entanto, as dificuldades ainda são inúmeras, mas há um interesse em superá-las.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As Instituições Sócio-Assistenciais Evangélicas entre o Desejo de Servir e a Necessidade do Profissionalismo Técnico: Desafios e Estratégias de Ação.

Segundo Costa (2004), gerenciar organizações do terceiro setor não é tarefa que se esgota no ativismo diário e na luta solitária pela sobrevivência institucional. Significa compreender que as instituições socioassistenciais não governamentais têm uma função social mais ampla no atual conjuntura brasileira: transcender a perspectiva assistencialista em direção a uma ação de real promoção e desenvolvimento social, superando a exclusão social; conhecer e cumprir as diretrizes preconizadas pelo ordenamento legal; não esquecer que cabe ao Estado o dever de prover políticas sociais adequadas e eficientes para o enfrentamento da questão social.

Porém, o gerenciamento da maioria dessas organizações ainda está atrelado às formas tradicionais; a gestão ainda é centralizada e exercida por pessoas não especializadas; a preocupação com a sustentabilidade financeira é predominante entre os gestores; e não há a percepção de que a gestão implica a visão da totalidade institucional em que a participação e o plano gestor ocupam papéis estratégicos.

Essa situação impede a existência de projetos setoriais que propiciem a formação continuada dos recursos humanos envolvidos em todos os setores; forneçam atendimento de qualidade social às famílias; gerem captação de recursos a partir de uma perspectiva de investimento social e não de caridade e filantropia; e possibilitem a avaliação contínua do trabalho realizado.

Esse quadro analisado por Costa (2004) não é diferente no contexto das instituições sócio-assistenciais evangélicas posto que elas compõem o denominado terceiro setor. A boa vontade, o sentimento de solidariedade e a disposição de servir, movem em grande parte, as ações daqueles que estão nas instituições. Contudo, é preciso mais do que isso: contratar profissionais qualificados, elaborar um plano de ação, definir critérios de atendimento.

Como podemos verificar, as ações voluntárias e solidárias propiciam inovações, flexibilidade e variedade nos trabalhos junto à população carente de bens e serviços, mas é preciso torná-las estáveis, completas e duradouras. Baseado na vontade de ”servir ao próximo” são construídas instituições filantrópicas, como creches, asilos, albergues, prestando assistência material a todos que necessitam. Ademais, as igrejas prestam grandes contribuições seja com dinheiro ou gêneros alimentícios e o que mais for preciso.

No entanto, ao se criar uma instituição socioassistencial e para se ter uma maior eficiência no “servir ao próximo”, alguns passos são exigidos. Dentre estes, haver clareza quanto aos objetivos e às ações que a instituição deverá realizar. Para tanto, o plano de gestão torna-se imprescindível, bem como a contratação de profissionais qualificados para atender aos que acorrem à instituição. Não contar apenas com voluntários, já que estes muitas vezes se vêem cercados de inúmeras tarefas, não conseguindo dedicar-se integralmente às atividades na instituição, o que não ocorre com o funcionário, que é contratado para este fim.

Há a necessidade, também, do estabelecimento de normas e critérios de atendimento àqueles que procuram a instituição, visando maior agilidade, eficácia e qualidade do atendimento.

Mas, quais seriam os principais desafios , hoje presentes, para estas instituições atuarem com competência em programas e projetos sociais?

1º) Buscar uma atuação crítica, inserida e contextualizada, atendendo as demandas sociais presentes hoje na realidade social;

2º) Identificar e conhecer os focos mais necessitados de atendimento sócio-assistencial em nossa cidade;

3º) Assumir a visão técnica e profissional do trabalho social, superando a preocupação centralizada tão somente na sustentabilidade financeira;

4º) Buscar Unidade na Diversidade: parcerias e redes entre as organizações sócio-assistenciais.

Para o enfrentamento desses desafios, que estratégias poderiam ser observadas tendo em vista um envolvimento eficaz no atendimento às demandas colocadas?

1ª) Conhecimento e utilização da legislação atual que fundamenta as políticas sociais setoriais (Educação, Saúde, Assistência Social, etc.);

2ª) Participação nas instâncias legais e informais que atuam junto aos diferentes segmentos que são alvos das políticas sociais: Conselho Municipal de Assistência Social, Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, Conselho Municipal Anti-Drogas, Conselho Municipal da Educação, etc.;

3ª) Visão estratégica do planejamento institucional. Isto significa que os projetos e serviços prestados pelas instituições socioassistenciais evangélicas devem primar por uma atuação profissional e técnica, abandonando práticas assistencialistas e improvisadas com conotação caritativa, implantando o Plano Gestor Institucional;

4ª) Organização efetiva da Rede Sócio-Assistencial do Terceiro Setor, do município, da qual as instituições de confissão evangélica fazem parte, para conhecimento mútuo, troca de experiências e fortalecimento político;

5ª) As Igrejas assumirem os projetos, serviços e instituições a elas vinculadas denominacionalmente, de forma direta ou indireta, como projetos e/ou serviços que integram as suas ações, a eles destinando orçamento específico.

Em decorrência, por todos os motivos aqui expostos, avaliamos que é importante e necessário desmistificar a idéia, largamente difundida em nossa sociedade, de que assistência à população carente de bens e serviços deve pautar-se na concepção de caridade, a qual, inadvertidamente ou deliberadamente, é utilizada por diferentes atores sociais, subordinados ou não a uma instituição religiosa.

 

BIBLIOGRAFIA

CAMARGO, Mariângela Franco et al. Gestão do terceiro Setor no Brasil. São Paulo: Futura, 2001.

COSTA, Selma Frossard. O Espaço contemporâneo de fortalecimento das organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos: o Terceiro Setor em evidência. IN: O Desafio da Construção de uma Gestão Atualizada e Contextualizada na Educação Infantil: um estudo junto às creches e pré-escolas não governamentais que atuam na esfera da assistência social, no município de Londrina-Pr. 2003; 233p. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo – USP.

______, A Ação Social da Igreja Evangélica em Londrina. In: MUZZIO R. (org.) A Revolução Silenciosa – Transformando Cidades pela Implantação de Igrejas Saudáveis. São Paulo: Sepal. 2004. p.123-142.

________. O Serviço Social e o Terceiro Setor. In: Serviço Social em Revista (www. ssrevista.uel.br) Jan. - Jul./2005, v.07; n. 02 do Curso de Serviço Social/UEL.

DOWBOR, Ladislau. A Gestão Social em busca de paradigmas . In: RICO & RAICHELIS (orgs.). Gestão Social: uma questão em debate , São Paulo : EDUC. 1999. p.31-42.

KLIKSBERG, Bernardo. O desafio da Exclusão - Para uma gestão Social Eficiente. São Paulo: FUNDAP, 1997.

SOARES, Laura Tavares. O Desastre Social. In: SADER, Emir (org.) Coleção Os porquês da desordem mundial. Rio de Janeiro: Record, 2003.

 

NOTAS

[1] A rede socioassistencial é um conjunto integrado de ações e iniciativa pública e da sociedade que ofertam e operam benefícios, serviços, programas e projetos, o que supõe a articulação dentre todas estas unidades de provisão de proteção social sob a hierarquia de básica e especial e ainda por níveis de complexidade. (NOBS/SUAS. p. 20, 2005)

[2]Instituições (associações ou fundações privadas) não governamentais , que expressam a sociedade civil organizada , com participação de voluntários , para atendimentos de interesse público em diferentes áreas e segmentos , avançando da perspectiva filantrópica e caritativa para uma atuação profissional e técnica , na qual os usuários são sujeitos de direitos , tendo em vista o alcance de um trabalho de qualidade social . (COSTA, 2005)

[3] Utilizamos a terminologia “de confissão evangélica” devido ao fato de que nem todas estão formalmente vinculadas ou são mantidas diretamente por uma denominação evangélica.

[4] Segundo Camargo et al. (2001: 35) associação é a congregação de certo número de pessoas que expõe em comum conhecimentos e serviços voltados a um mesmo ideal e movidos por um mesmo objetivo, com capital ou sem, mas jamais com intuito lucrativo.

[5] Trata-se do sub-projeto “A Gestão Institucional das Organizações Sócio-Assistenciais, de Confissão Evangélica, no Município de Londrina, frente às Atuais Demandas nas Áreas da Assistência Social, Educação e Saúde”, vinculado ao Projeto “As Ações Assistenciais Promovidas Pelas Igrejas Pentecostais E Neo-Pentecostais Do Município De Londrina E Suas Expressões Na Política Da Assistência Social – 1973- 2003” , concluído em abril de 2006.

[6] Organização não governamental, de abrangência mundial, de confissão evangélica, que atua no assessoramento a igrejas, com um de seus escritórios sediado em Londrina.

 

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