O Mercado de Trabalho do Assistente Social em Municípios da Região Metropolitana de Londrina
Sandra Regina de Abreu Pires *
Mariane Alves Costa **
Adriana Cosmo Moreira ***
Natália Cristina Silveira e Silva ****

* Mestre e Doutora em Serviço Social pela PUC-SP. Docente do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Docente Coordenador da pesquisa "A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social
** Discente do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina Bolsista do Programa Afroatitude/UEL. Membro da equipe da pesquisa "A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social
*** Discente do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina Bolsista Inclusão Social – Fundação Araucária/UEL. Membro da equipe da pesquisa "A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social
**** Discente do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Membro da equipe da pesquisa "A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social

RESUMO:
O presente trabalho aborda o mercado de trabalho do assistente social em cinco dos seis municípios que compõem a região metropolitana de Londrina: Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia e Tamarana. Sua produção é resultado da pesquisa "A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social" ainda em andamento no Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Assim, tem como fonte dados coletados pela equipe em uma amostra de 80% das instituições empregadoras e 60% do universo de profissionais de Serviço Social nela inseridos. Na abordagem deste mercado de trabalho, privilegiamos aqui algumas informações que nos permitissem socializar um desenho inicial deste mercado, incluindo nisso uma caracterização dos espaços ocupacionais, dos próprios assistentes sociais neles inseridos e a prática profissional por eles desenvolvida.

PALAVRAS CHAVE : mercado de trabalho do assistente social; prática profissional; atividades profissionais; abordagem individual; região metropolitana de Londrina.

ABSTRACT:
The present work approaches the market of work of the social assistant in five of the six cities that compose the region metropolitan of Londrina: Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia and Tamarana. Its production is resulted of the research "The Individual Boarding as interventiva modality in the practical professional Social Assistant" of still in progress the in the Department of Social Work of the State University of Londrina. Thus, it has as source given collected by the team in a sample of 80% of the institutions employers and 60% of the universe of professionals of Social Work in the inserted ones. In the boarding of this market of work, we privilege here some information that in allowed them to socialize an initial drawing of this market, including in this a characterization of the occupational spaces, the proper social assistants in inserted them and the practical professional for them developed.

KEY WORDS: Market of work of the social assistant; practical professional; professional activities; individual boarding; region metropolitan of Londrina.


INTRODUÇÃO

O projeto de pesquisa "A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social: sua concepção e operacionalização no âmbito da micro-região de Londrina- Paraná" vem sendo desenvolvido no Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina desde o ano de 2004. Sua pretensão inicial era investigar, junto aos profissionais de Serviço Social inseridos no mercado de trabalho da região, a concepção existente acerca da intervenção junto a indivíduos e as formas como a mesma é concretizada.

Em função da constatação posterior de que a micro-região de Londrina abrangeria cerca de 35 municípios, a equipe entendeu que este número era elevado para uma pesquisa sem financiamento e com prazo insuficiente para lograr êxito. Neste sentido, optou por buscar a consecução do citado objetivo nos 06 municípios que integram a região metropolitana de Londrina, a saber: Londrina, Cambé, Jataizinho, Ibiporã, Rolândia e Tamarana.

Com esta definição, passou-se ao desenvolvimento da pesquisa que exigia, além de um reconhecimento da realidade existente nesta região [1], apreender informações sobre a totalidade dos assistentes sociais inseridos em seu mercado de trabalho, bem como de seus respectivos espaços ocupacionais. Estas atividades faziam parte do primeiro momento investigativo que pretendia, portanto, o mapeamento dos profissionais de Serviço Social por instituições-espaços ocupacionais com suas áreas específicas de atuação, abordagens e atividades principais[2]. Por intermédio deste momento, intencionava-se ainda a identificação daqueles espaços onde a abordagem individual é tomada como modus operandi básico, permitindo, assim, a localização do universo dos assistentes sociais a ser pesquisado em um segundo momento[3].

Para a concretização do referido mapeamento, esperava-se contar com dados parciais que funcionariam como ponto de partida, em particular os de posse do Conselho Regional de Serviço Social – 11ª Região. Entretanto, esta expectativa não se confirmou, já que o mesmo possuía apenas uma listagem de assistentes sociais inscritos no Conselho, listagem esta que, embora comporte os endereços residenciais, não contempla o local de trabalho dos profissionais inscritos ou, ao menos, se estão atualmente inseridos no mercado de trabalho[4].

Desse modo, foi contando unicamente com os dados referentes às Instituições-campos de estágio do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina e uma relação de assistentes sociais participantes de um curso de capacitação para supervisores promovido pelo Colegiado do referido curso é que demos início ao citado mapeamento. Logo, fazê-lo foi algo que envolveu inúmeras dificuldades, para cujo enfrentamento foram fundamentais as informações obtidas informalmente junto ao corpo discente e docente do Departamento de Serviço Social e junto a assistentes sociais contatados pela equipe da pesquisa.

Atualmente, a equipe está processando a tabulação e sistematização dos dados colhidos junto aos profissionais que atuam na cidade de Londrina, atividade esta já findada nos municípios de Cambé, Rolândia, Tamarana, Jataizinho e Ibiporã. Assim, considerando este estágio de desenvolvimento da pesquisa, o presente trabalho pretende socializar alguns resultados, alcançados até o momento, concernentes ao mercado de trabalho do assistente social apenas nos municípios supracitados, incluindo nisso uma caracterização das instituições-espaços ocupacionais, dos próprios assistentes sociais atualmente exercendo a profissão no interior deles e da prática profissional desenvolvida pelos mesmos.

1. OS ESPAÇOS OCUPACIONAIS DO ASSISTENTE SOCIAL NA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA- PARANÁ

Por dados do IBGE relativos ao ano de 2001, os municípios de Cambé, Jataizinho, Ibiporã, Rolândia e Tamarana possuem, juntos, 200.938 habitantes. Destes, conforme levantou a equipe da pesquisa, uma grande parcela pode ser qualificada como "população carente", uma vez que 35,24% daquela com mais de 10 anos se situa na faixa de até 02 salários mínimos e 37,43% não possuem nenhuma renda.

Ou seja, somando estes dois segmentos, temos nestes municípios um número de 119.586 habitantes, representando 72,68% dos que estão na referida faixa etária de mais de 10 anos. Neste quesito, a mais grave realidade é a de Tamarana com 84,27% da população nesta condição. Todavia, a dos outros municípios também é drástica, já que Jataizinho detém 79,37%, Ibiporã 73,12%, Rolândia 71,41% e Cambé 71,14%.

Com esse quadro e suas inúmeras consequências nas condições de vida da população, acrescido da forte crise sócio-econômica que assola o país, infere-se que há também nestes municípios a necessidade de investimentos em medidas de política social pública e, para concretizá-las, órgãos, instituições ou programas específicos mantidos e gerenciados pelo poder público municipal, estadual ou federal.

Sob este prisma, pareceria lógico que o maior número de instituições que empregam assistentes sociais se concentrassem no setor público e isto é, de fato, verdadeiro: das 30 instituições da região que empregam assistentes sociais, 14 pertencem a este setor. Excetuando Tamarana onde se localizou apenas uma instituição empregadora, sendo ela pública (100%), a localidade que apresenta o maior número de órgãos/instituições desta natureza é Cambé com 05 instituições, incluindo-se nelas secretarias municipais (tomadas separadamente) e instituições ou programas específicos. Na seqüência, em ordem decrescente, estão Rolândia com 04 instituições, Ibiporã com 03 e Jataizinho com 01.

Esta ordem se altera, porém, se tomarmos a porcentagem de instituições públicas na relação com a totalidade espaços ocupacionais existente em cada município. Estabelecendo esta relação, Cambé continua ocupando o primeiro lugar, com 62,5% das instituições empregadoras sendo de natureza pública. O segundo lugar, entretanto, é de Ibiporã com 60,0%, seguindo-se a ele Jataizinho (33,33%) e Rolândia (30,77%).

É importante destacar que dentre estas organizações públicas não se constata a presença de nenhuma de âmbito estadual ou federal. Todas elas são mantidas e gerenciadas pelo poder público municipal, incluindo-se neste rol, como dito, secretarias municipais e instituições ou programas específicos de caráter local. De modo particularizado, o quadro de espaços ocupacionais no conjunto dos municípios pesquisados é o seguinte:

ÓRGÃOS OU INSTITUIÇÕES PÚBLICAS QUE SE CONSTITUEM EM ESPAÇO OCUPACIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NOS MUNICÍPIOS PESQUISADOS

ESPAÇOS OCUPACIONAIS
NÚMERO
Secretarias Municipais de Ação ou Assistência Social
05
Secretarias Municipais de Saúde
03
Secretarias Municipais de Administração ou Recursos Humanos
01
Secretarias Municipais de Educação
01
Secretaria Municipais de Fazenda
01
Centros de Convivência de Idosos
01
CAPS – Centro de Apoio Psicossocial
01
Programa Oficina
01
TOTAL
14

O segundo maior número de instituições que comportam assistentes sociais nestes municípios se concentra no segmento denominado de 3° Setor. Nele estão 11 das 30 instituições empregadoras que foram localizadas, perfazendo um total de 36,67%. O município que apresenta maior número é Rolândia, com 5 instituições empregadoras de profissionais de Serviço Social, sendo que nos demais, com exceção de Tamarana, registra-se 02 em cada um. No conjunto dos cinco municípios, este segmento de mercado de trabalho assim se apresenta:

INSTITUIÇÕES DE 3º SETOR QUE SE CONSTITUEM EM ESPAÇO OCUPACIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NOS MUNICÍPIOS PESQUISADOS

ESPAÇOS OCUPACIONAIS
NÚMERO

APAE – Associação de Pais e Alunos Excepcionais ou Escola de Educação Especial

04

APMI- Associação de Proteção à Maternidade e Infância

03

Creches, Centros de Educação Infantil ou Programa de Atendimento a Adolescentes

03

Instituições de Apoio ou Tratamento de Drograditos

01

TOTAL

11

 

O terceiro lugar em termos de instituições empregadoras é do setor privado, no qual estamos embutindo organizações comerciais, industriais e de serviços. Neste elenco, não localizamos nenhuma organização comercial que possua assistentes sociais em seus quadros. Localizamos apenas 01 de serviços (em Cambe) e 04 industriais (todas em Rolândia).

Este dado é bastante curioso. A partir do levantamento feito pela equipe de pesquisa acerca de aspectos sócio-econômicos e históricos dos municípios, observou-se que Cambé se constitui no mais industrializado da região, ultrapassando até mesmo Londrina. Nele existem 05 parques industriais e 600 estabelecimentos, 59,83% deles, cerca de 350, podendo ser considerados de médio e grande porte. No entanto, como dito, registra-se apenas uma organização com assistente social, não sendo esta industrial e sim de serviço – um estabelecimento de ensino. Em nossa opinião, esta realidade mereceria um estudo mais aprofundado, buscando os possíveis fatores condicionantes da não ocupação do espaço das organizações industriais pelos profissionais de Serviço Social.

Neste mesmo sentido, também mereceria estudos mais aprofundados o fato de Rolândia, sendo menor que Cambé (49.404 contra 88.314 habitantes) e tendo menor grau de industrialização, possuir 04 organizações com assistentes sociais. Este menor grau de industrialização se expressa, por exemplo, na participação do setor industrial nos Produtos Internos Brutos Municipais, pelo o que Cambé se reforça como mais industrializado: 68,57% de Cambé contra 22,98% de Rolândia. No universo pesquisado, Rolândia sequer ocupa o segundo lugar que é de Ibiporã (27,41%), onde, aliás, também não localizamos organizações industriais com assistentes sociais em seus quadros.

No que se refere ao número total de assistentes sociais inseridos no mercado de trabalho de Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia e Tamarana, a equipe da pesquisa localizou um total de 50 profissionais, assim distribuídos:

NUMERO DE ASSISTENTES SOCIAIS INSERIDOS NO MERCADO DE TRABALHO DOS MUNICÍPIOS PESQUISADOS (POR MUNICÍPIO E EM ORDEM ALFABÉTICA )

MUNICÍPIOS
NÚMERO DE ASSISTENTES SOCIAIS

CAMBÉ

11

IBIPORÃ

12

JATAIZINHO

04

ROLÂNDIA

22

TAMARANA

1

TOTAL

50

 

Como fica demonstrado, dentre os municípios pesquisados, Rolândia é o que concentra mais assistentes sociais, atingindo 44% da totalidade dos atualmente empregados na região. Em segundo lugar comparece Ibiporã com 24% e, na seqüência, Cambé com 22%, Jataizinho com 8% e Tamarana que, com somente um assistente social, atinge 2%.

De modo coerente com o expresso em relação às organizações empregadoras, a pesquisa revelou que, em termos de número de profissionais empregados, há igualmente uma prevalência do setor público: o mesmo absorve 29 dos 50 assistentes sociais que atuam na região. Esta proporção de 58% reforça a tradição do Estado ser o maior empregador do assistente social.

Novamente com exceção de Tamarana onde existe apenas um profissional, atuando ele na única instituição empregadora lá existente (de natureza pública), o município que apresenta o maior número de profissionais de Serviço Social em órgãos/instituições desta natureza é Rolândia: 11. A ele seguem Cambé e Ibiporã, com 08 assistentes sociais cada e Jataizinho com 01.

Também novamente esta ordem se altera quando se visualiza a percentagem de profissionais alocados no setor público de cada localidade na comparação com a totalidade existente no município. Por esta comparação, o primeiro lugar cabe agora a Tamarana, haja vista que seu setor público, como dito, emprega o único assistente social que exerce a profissão no município. Na seqüência comparecem Cambé (72,73%), Ibiporã (66,67%), Rolândia (50%) e Jataizinho (25,0%).

As Instituições de 3º Setor ocupam o segundo lugar no que concerne ao número de assistentes sociais absorvidos, na medida em que nela estão 28% da totalidade atuante na região – 14 dos 50 profissionais de Serviço Social. Em termos numéricos é novamente Rolândia que conta com o maior número de assistentes sociais neste tipo de instituição (05), todavia, no plano da comparação com a totalidade existente em cada município, a localidade que ocupa este primeiro lugar é a Jataizinho: 75%. A seqüência em ordem decrescente seria: Ibiporã (33,33%), Rolândia (22,73%), Cambé (18,18%) e Tamarana (0%).

Coincidindo com o fato do setor privado comportar o menor número de instituições empregadoras nos município pesquisados, constatamos que ele também absorve menos profissionais de Serviço Social na comparação com o público e com o 3º Setor. Exercem a profissão em organizações a ele afetas apenas 07 assistentes sociais – 14% da totalidade. Como não poderia deixar de ser, a maior concentração está em Rolândia, onde estão 06 deles – 85,71%.

Em síntese, assim se desenha o quadro de assistentes sociais que atuam nos municípios de Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia e Tamarana:

ASSISTENTES SOCIAIS INSERIDOS NO MERCADO DE TRABALHO DOS MUNICÍPIOS PESQUISADOS (POR MUNICÍPIO E SETORES DA ECONOMIA)

MUNICÍPIOS

NATUREZA DAS INSTITUIÇÕES EMPREGADORAS E NÚMERO DE ASSISTENTES SOCIAIS

PÚBLICA MUNICIPAL

PÚBLICA ESTADUAL

PÚBLICA FEDERAL

PRIVADA 3º SETOR TOTAL

CAMBÉ

08 00 00 01 02 11

IBIPORÃ

08 00 00 00 04 12

JATAIZINHO

01 00 00 00 03 04

ROLÂNDIA

11 00 00 06 05 22

TAMARANA

01 00 00 00  00  01

TOTAL

29 00 00 07 14 50

 

A essa totalidade de 50 assistentes sociais que atuam nos municípios de Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia e Tamarana, a equipe da pesquisa enviou um instrumento de coleta de dados (questionário) composto, na medida do possível, por perguntas fechadas e de múltipla escolha. Tais questões obedeceram a quatro eixos principais: 1- informações gerais sobre a instituição empregadora como, por exemplo, objetivo institucional, população alvo e existência de equipes multidisciplinares; 2- dados referentes ao profissional de Serviço Social, como ano de formatura e tempo de experiência profissional; 3- aspectos relativos à prática profissional, particularmente os associados às principais atividades desenvolvidas; e 4- informações iniciais acerca da concepção de abordagem individual e da posição ocupada pela mesma na prática profissional.

O envio e o recolhimento dos questionários ocuparam a equipe praticamente durante todo o ano de 2005, sendo importante revelar como dificuldades enfrentadas para o envio, a difícil localização da totalidade dos assistentes sociais e a inexistência de recursos financeiros para a entrega dos questionários em mãos. Para a superação desta última, optou-se pelo envio através de endereços eletrônicos, o que também não se revelou de fácil concretização, seja pela inexistência dos mesmos ou pela dificuldade de obtê-los. Quando ao recolhimento, interferiu o fato do instrumento ser um questionário (em relação ao qual é sabido que normalmente há uma tendência de baixa devolução) e a já mencionada inexistência de recursos financeiros para recolhê-los pessoalmente.

Apesar destas dificuldades obtivemos uma amostra bastante satisfatória, fruto principalmente, além da valiosa contribuição dos pesquisados, da colaboração dos discentes do curso de Serviço Social que apoiaram a equipe fazendo o papel de intermediários entre ela e os assistentes sociais.

Em termos concretos, dos 50 assistentes sociais que constituíam o universo, obtivemos o retorno de 30 questionários, perfazendo, assim, uma amostra de 60%. Esta amostra se mostrou bem distribuída, visto que nela estão contempladas 80% das instituições empregadoras: 24 das 30 existentes. Na amostra também estão garantidas as especificidades de cada município, uma vez que em 04 deles o retorno foi maior que 50%: Tamarana com 100%, Cambé com 81,82%, Jataizinho com 75,0% e Rolândia com 54,55%. A menor taxa de devolução foi de Ibiporã, mas, mesmo assim, os seus 41,67% são bastante expressivos. No conjunto, a média de retorno atingiu a casa dos 70,61%.

A amostra contempla igualmente a diferenciação pontuada anteriormente no que se refere aos setores de maior concentração de assistentes sociais. A tabela a seguir demonstra isso.

COMPOSIÇÃO DA AMOSTRA POR MUNICÍPIO E SETORES DA ECONOMIA

MUNICÍPIO

SETORES DA ECONOMIA E NUMERO DE ASSISTENTES SOCIAIS

PÚBLICO

PRIVADO

3º SETOR

Universo

Amostra %

Universo

Amostra %

Universo

Amostra %

CAMBÉ

08 06 75,0 01 01 100,0 02 02 100,0
IBIPORÃ 08 03 37,5 00 00 33,3 04 02 50,0
JATAIZINHO 01 01 100,0 00 00 0,00 03 02 66,7
ROLÂNDIA 11 07 63,6 06 02 0,00 05 03 60,0
TAMARANA 01 01 100,0 00 00 0,00 00 00 0,00

 

É tomando como referência esta amostra que apresentamos a seguir uma caracterização dos profissionais de Serviço Social e alguns aspectos referentes à prática profissional por eles desenvolvida nos espaços ocupacionais até aqui abordados.

2. OS ASSISTENTES SOCIAIS E SUA PRÁTICA PROFISSIONAL NO MERCADO DE TRABALHO DOS MUNICÍPIOS PESQUISADOS

Dentre os 30 profissionais de Serviço Social que se constituíram em sujeitos da pesquisa, a grande maioria formou-se pela Universidade Estadual de Londrina, confirmando a condição desta unidade de ensino como referência regional, assim como a de Londrina como pólo da região no tocante ao ensino superior. Excetuando os dois pesquisados que não responderam, se formaram pela UEL 89,29% dos assistentes sociais inseridos atualmente no mercado de trabalho dos municípios pesquisados. Ao lado da Universidade Estadual de Londrina, foram localizadas apenas 03 Unidades de Ensino, cada qual com 01 sujeito. São elas: UNB, UEPG e Instituição Toledo de Ensino (Presidente Prudente).

Quanto ao ano de formatura, a distribuição assim se mostra:

Período

Cambé Ibiporã Jataizinho Rolândia  Tamarana Total %

2000 a 2005

03 01 00  04 01 09 30,00

1995 a 1999

02 02 01 03 00 08 26,67

1990 a 1994

00 01 02 03 00 06 20,00

1985 a 1989

01 01 00 00 00 02 6,67

1980 a 1984

02 00 00 01 00 03 10,00

Antes de 1980

01 00 00 00  00  01 3,33

Não Respondeu

00  00 00 01 00  01 3,33

TOTAL

09 05 03 12 01 30 100,00

Desta forma, a maior proporção é de assistentes sociais que saíram dos bancos escolares há 05 anos ou menos, com uma distribuição interna mais ou menos equânime: 02 em 2004; 02 em 2002; 02 em 2001 e 03 no ano de 2000. Próxima à proporção dos mesmos estão aqueles que se enquadram na faixa de 05 a 10 anos de formados (26,67%). Em meio a eles, a maior proporção foi verificada no ano de 1995, com 04 assistentes sociais.

Individualmente, o tempo de experiência profissional coincide em boa medida com o tempo de formatura, o que indica que, na maioria das vezes, a inserção no mercado de trabalho foi rápida. Tomada no conjunto, a proporção mais elevada neste quesito é de profissionais com até 05 anos de experiência profissional (43,33%). Em segundo lugar comparecem aqueles que possuem de 10 a 20 anos (26,67%), seguidos dos na faixa de 05 a 10 (20%) e mais de 20 anos (10%).

Indagados sobre o tempo de experiência profissional no órgão/instituição atual, 01 sujeito não respondeu, reduzindo o universo para 29 assistentes sociais. Destes, a maioria também se encontra na faixa de até 05 anos (17 profissionais), perfazendo 58,62%. Dentre eles, 03 estão na instituição atual há 01 ano ou menos; 03 de 01 a 02 anos; 06 de 03 a 04 anos; e 05 de 04 a 05 anos. Portanto, os que teriam menor experiência profissional na instituição atual são minoria, prevalecendo os que nelas estão há mais de 03 anos.

A prevalência de profissionais com experiência significativa no trabalho que executam é reforçada quando se observa o outro extremo: 27,59% dos sujeitos declararam estar na instituição atual há mais de 10 anos. Ao nosso ver, este dado revela que os assistentes sociais da região detêm uma certa estabilidade no emprego, mesmo aqueles que não são funcionários públicos. Um exemplo disso foi encontrado em instituições de 3º Setor: a pesquisa registra a existência de 04 profissionais que atuam na mesma instituição há mais de 05 anos, sendo 02 deles há mais de 15 anos. Outro dado interessante é que em meio a estes cinco sujeitos, 03 tem toda a sua experiência profissional concentrada na mesma instituição (um deles há mais de 15 anos).

Outra informação revelada pela pesquisa é que a maioria figura como único profissional de Serviço Social existente nos quadros das organizações em que atuam. Este número é de 20, totalizando 66,67%. Em contra partida, não se encontrou equipes de Serviço Social com mais de 05 profissionais. Dentre os que fazem parte de equipes – um número de 10 – a maior incidência é a de existência de 02 assistentes sociais (16,67%), seguida de 03 e de 05, ambas com 6,67%, e de 04 com 3,33%. A pesquisa revelou ainda que é no setor público, em particular nas Secretarias Municipais de Ação ou Assistência Social e nas de Saúde, que está concentrado o maior número de sujeitos que pode contar com a existência de outro(s) profissional(is) de Serviço Social em suas instituições.

A situação é muito diferente no que tange à existência de equipes multidisciplinares. Excetuando os 03 sujeitos que não responderam, dos 27 restantes 22 declararam participar de equipes multidisciplinares e 05 responderam negativamente. Logo, os que participam representam 81,48%, estando a maior incidência dentre os que atuam no setor público (40,7%), seguida pelo 3º Setor (33,3%) e pelo Privado (7,4%).

No entanto, no concernente ao número de áreas profissionais que integram as equipes, esta relação de prevalência não se confirma. Neste particular, é nas Instituições de 3º Setor, estando aí um grande peso das APAEs ou Escolas de Educação Especial, que se situam as equipes com maior número de áreas profissionais: são 04 equipes com 06 ou mais áreas, contra apenas 01 no setor público. No outro extremo, nas equipes compostas pelo Serviço Social e mais duas outras áreas, as de 3º Setor somam 03 contra 05 do setor público.

A composição das equipes é bastante diversificada, no entanto, aparece como profissional mais presente o psicólogo, mencionado como integrante das equipes 17 vezes. A novidade ficou por conta a posição ocupada pela pedagogia, com 15 menções, já que esta não é usualmente lembrada como uma área frequente com a qual o assistente social atua. As áreas mencionadas como tomando parte das equipes multidisciplinares existentes são as seguintes:

ÁREAS PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR MENCIONADAS COMO INTEGRANTES DAS EQUIPES MULTIDISCIPLINARES EXISTENTES NOS MUNICÍPIOS PESQUISADOS (POR ORDEM DECRESCENTE)

ÁREAS PROFISSIONAIS

TOTAL DE MENÇÕES %

PSICOLOGIA

17 22,37

PEDAGOGIA

15 19,74

MEDICINA

08 10,53 

FONOAUDIOLOGIA

06 7,89

TERAPEUTA OCUPACIONAL

05 6,58

FISIOTERAPIA

05 6,58

DIREITO

04 5,26

MEDICINA PSIQUIATRICA  

04 5,26

NUTRIÇÃO

04 5,26

EDUCAÇÃO FÍSICA

03 3,95 

SOCIOLOGIA

02 2,63 

ODONTOLOGIA

02 2,63 

ENFERMAGEM

01 1,32

TOTAL

76 100,0

 

Embora não seja maioria, é expressivo o número de assistentes sociais que exercem cargos de chefia ou de coordenação: eles representam 33,3% dos 30 pesquisados. Este tipo de atribuição é mais frequente no setor público, no qual a percentagem sobe para 44,4%. Há ainda registro de 22,2% exercendo-os em instituições de 3º Setor. O município que apresenta maior número de profissionais nesta condição é Cambé, onde 05 dos 09 pesquisados assim relataram.

A maioria dos 10 profissionais que exercem cargos de chefia ou de coordenação desenvolvem, concomitantemente, atividades dentro das suas funções de assistente social, intervindo diretamente junto à população alvo das instituições. Neste particular, prevalece como alvo prioritário das mesmas segmentos populacionais que normalmente são destinatários de medidas da assistência social ou da saúde como políticas públicas, localizando-se apenas 01 profissional que, não atuando no setor privado, declarou ter como população alvo funcionários e suas famílias. 

Com essa população, os sujeitos da pesquisa desenvolvem uma gama variada de atividades, com significativa prevalência daquelas que se poderia qualificar como tradicionais, ou seja, atividades que marcaram historicamente e ainda marcam a intervenção profissional do profissional de Serviço Social. Em meio a elas destacam-se 11 menções à concessão de auxílios ou serviços concretos como cestas básicas, órteses/próteses, medicamentos, transporte e exames. Destacam-se também as 13 referências a encaminhamentos à rede de serviços para concessão de serviços ou auxílios concretos e as 04 a levantamento sócio-econômico ou triagem para concessão de tais auxílios ou serviços, bem como para inclusão de usuários em projetos/programas existentes nas instituições.

Esclarece-se que parte das menções a esta atividade de levantamento sócio-econômico ou triagem para inclusão de usuários em projetos/programas é dependente da atuação dos profissionais com benefícios previstos na Lei Orgânica da Assistência (como o Beneficio de Prestação Continuada -BPC) e/ou à inclusão da população como destinatária de bolsas família que, juntos, receberam 06 alusões.

Um outro grupo de atividades que foi citado em número significativo foi aquele vinculado à elaboração de documentação, tanto as relativas ao planejamento de atividades (programas/projetos), como ao registro de atividades, como relatórios. As menções foram em número de 10, havendo ainda 02 que se referiam à elaboração de parecer social ou laudo.

No conjunto das atividades desenvolvidas, merece ser posto em relevo também o envolvimento dos assistentes sociais com conselhos de direito e diferentes tipos de associações. Foram 06 alusões a isso, sendo 03 delas no tocante à participação em conselhos de direitos e 01 de assessoria ou capacitação de conselheiros.

Quanto ao tipo de abordagem, foi bastante lembrada a grupal: 11 referências a trabalho com grupos, entre formados por usuários, por famílias e por voluntários. A abordagem individual foi menos lembrada, registrando-se apenas 07 referências. No entanto, a equipe da pesquisa conclui que este número de menções não significa que a mesma não seja utilizada ou utilizada em menor grau que a grupal. Ao contrário, 20 dos 30 pesquisados afirmaram que a abordagem individual ocupa uma posição de destaque em sua prática profissional. Ou seja, excluindo os dois sujeitos que não responderam a pergunta, 71,43% dos pesquisados são de opinião que a abordagem individual é a "própria forma de operacionalização" que a prática profissional dos mesmos envolve.

Outros 14,29% enquadraram-na como de posição significativa, isto é, como bastante utilizada, mas não figurando como abordagem majoritária. As demais respostas dividiram-se entre posição relativa – utilizada com frequência, mas apenas em situações específicas (7,14%); posição residual – utilização não frequente, sendo reservada apenas para situações excepcionais (3,57%); e nenhuma posição, já que não é utilizada (3,57%).

Assim, 85,51% dos assistentes sociais declaram que utilizam largamente a abordagem individual em seus cotidianos profissionais, contrastando em muito com o outro extremo – 7,14% –que não a empregam ou o fazem apenas excepcionalmente. Se somarmos todos que revelaram utilizá-la com frequência, o percentual sobre para 92,86%.

Tendo isso em vista, a equipe da pesquisa entende que, embora se esteja em um momento intermediário da investigação, já é possível comprovar uma das hipóteses iniciais da mesma: que a abordagem individual não se constitui para a categoria profissional em uma demanda residual ou circunscrita àqueles espaços ocupacionais onde é tomada, por força da natureza das instituições empregadoras, como modus operandi únicoou quase único. É uma demanda presente, em maior ou menor grau, na totalidade dos espaços de intervenção, reforçando a necessidade de pesquisas que, como a que aqui serviu de referência para este texto, pretende contribuir para superar a lacuna existente em termos de indicativos teórico-práticos para a intervenção dos assistentes sociais.

NOTAS

[1] O que foi efetivado mediante levantamento de aspectos sócio-econômicos e históricos de cada município que compõe a região metropolitana, dando origem a textos que abordavam cada um deles individualmente.

[2] Material inexistente, cuja construção era imprescindível para o prosseguimento da pesquisa em foco e que, ademais, poderia constituir-se em contribuição para futuras pesquisas neste espaço geográfico.

[3] O segundo momento refere-se à coleta de dados apenas com aqueles profissionais que tenham a abordagem individual como modus operandi básico, o que implica a inclusão, como critério para a eleição dos mesmos, da concretização de um trabalho de acompanhamento ordenado e metódico e não apenas de atendimento esporádico e/ou descontínuo a indivíduos.

[4] Estas informações foram obtidas verbalmente, uma vez que tal listagem não é facilmente disponibilizada aos interessados, mesmo em casos de realização de pesquisas acadêmicas.