Região Metropolitana de Londrina. Caracterização e Indicadores Sociais
Sandra Regina de Abreu Pires *
Tânia Maria Prates Gonçalves Wend **
Aline Araújo Correia ***
Evelyn Crislaine Pires P. Barade ****
* Mestre e Doutora em Serviço Social
pela PUC-SP. Docente do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Docente Coordenador da pesquisa “A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social”
** Discente do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina Bolsista Inclusão Social – Fundação Araucária/UEL. Membro da equipe da pesquisa “A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social”
*** Discente do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina Bolsista Inclusão Social – Fundação Araucária/UEL. Membro da equipe da pesquisa “A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social”
**** Discente do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Membro da equipe da pesquisa “A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Soci
al”

 

RESUMO:
O presente trabalho trata da região metropolitana de Londrina, área de abrangência do projeto de pesquisa intitulado “A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social” em execução no Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Sua elaboração teve como ponto de partida textos elaborados pela equipe da pesquisa abordando individualmente cada um dos municípios que compõe a referida região, a saber: Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Londrina, Rolândia e Tamarana. Sua importância para o desenvolvimento do projeto reside na contextualização da realidade com a qual atuam os assistentes sociais-sujeitos da pesquisa e sua divulgação tem por objetivo fornecer informações sistematizadas acerca deste contexto regional, incluindo nisso alguns indicadores sociais que podem contribuir para outras pesquisas futuras ou em andamento.

PALAVRAS CHAVE : Região Metropolitana de Londrina; indicadores sociais; Londrina; Cambé; Ibiporã; Jataizinho; Rolândia; Tamarana.

ABSTRACT:
The present work deals with the region metropolitan of Londrina, area of abrangency of the intitled project of research "The Individual Boarding as intervention modality in the practical professional of the Social Assistant" in execution in the Department of Social Work of the State University of Londrina. Its elaboration had as starting point texts elaborated for the team of the research approaching individually each one of the cities that composes the cited region, to know: Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Londrina, Rolândia and Tamarana. Its importance for the development of the project inhabits in the contextualization of the reality with which the assistants social-citizens of the research and its spreading has for objective to supply systemize information about of this regional context, including in this some social pointers that can contribute for other future research or in progress.

KEY WORDS: Region Metropolitan of Londrina; social pointers; Londrina; Cambé; Ibiporã; Jataizinho; Rolândia; Tamarana.


INTRODUÇÃO

No ano de 2004, após aprovação pelas instâncias competentes da Universidade Estadual de Londrina, deu-se início à execução do projeto de pesquisa intitulado “A Abordagem Individual como modalidade interventiva na prática profissional do Assistente Social: sua concepção e operacionalização no âmbito da micro-região de Londrina- Paraná”, cuja pretensão era detectar a forma como a abordagem individual é entendida e concretizada pelo assistente social inserido no mercado de trabalho da região supracitada, esperando oferecer uma contribuição para o necessário debate acerca da dimensão técnico-operativa da profissão.

Alcançar este objetivo exigia, dentre outros, reconhecer a realidade existente nesta área de abrangência, já que é nela que se localizam as sequelas da questão social com suas refrações regionais, as quais recém a intervenção do assistente social. Neste momento, a equipe da pesquisa se deparou com uma grande dificuldade: a área de abrangência fixada para o Projeto – micro-região de Londrina.

Não há em relação à sua composição uma delimitação única, o que impõe uma variação de número de municípios que dela fazem parte. Tomando por base aquela seguida pelo Conselho Regional de Serviço Social - 11ª região, a micro-região de Londrina abrangeria cerca de 35 municípios, uma amplitude que, frente à indisponibilidade de recursos financeiros para a coleta dos dados, assim como o prazo fixado para a pesquisa, acabaria inviabilizando a proposta investigativa.

Sendo assim, uma das primeiras decisões da equipe foi restringir a área de abrangência à região metropolitana de Londrina, a qual, de acordo com a Lei Estadual Complementar Nº 81 de 17/06/98 (publicada no Diário Oficial Nº 5272 de 17/06/98), é composta pelos municípios de Londrina, Cambé, Jataizinho, Ibiporã, Rolândia e Tamarana.

Desde então a equipe vem trabalhando na coleta de dados em relação a este universo, buscando construir um desenho do mercado de trabalho do assistente social na região e da própria prática profissional das instituições-espaços ocupacionais nele existentes. Este desenho foi iniciado pelo levantamento de informações sócio-econômicas e históricas de cada município que compõe a região metropolitana de Londrina, dando origem a 06 seis textos específicos.

Considerando a importância do já mencionado reconhecimento da realidade existente na região metropolitana de Londrina, a presente comunicação, tendo como ponto de partida estes textos específicos elaborados pela equipe, se propõe a socializar os resultados obtidos até o momento sobre isso, resultados estes que podem contribuir com pesquisas futuras ou em andamento.

1. A REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA- PARANÁ - ASPECTOS HISTÓRICOS

Como dito, a região metropolitana de Londrina é composta por 06 (seis) municípios: Londrina, Cambé, Jataizinho, Ibiporã, Rolândia e Tamarana. O município mais novo deste conjunto é Tamarana que obteve sua emancipação política recentemente, em 1995. Existindo até então como distrito de Londrina, Tamarana chegou à condição de município através de um plebiscito realizado neste ano, passando a existir como tal em janeiro de 1997.

Com exceção de Tamarana, os demais alcançaram a condição de município em meados do século XX em datas mais ou menos concomitantes. Londrina emancipou-se de Jataizinho em 1934 e Rolândia em 1943, desmembrando-se de Londrina. Os demais, Ibiporã, Cambé e Jataizinho, obtiveram a condição de município no mesmo ano - em 1947 – emancipando-se, respectivamente, de Sertanópolis, de Londrina e de Assai.

A formação dos mesmos enquanto núcleos urbanos é, porém, bastante anterior, datando de fins do século XIX e começo do século XX. Dentre eles, o mais antigo é Jataizinho que, com o nome de Jataí, que tem sua origem associada à instalação, em 1851, de uma Colônia Militar. Esta colônia foi estabelecida com intuito de conter possíveis ataques de argentinos e uruguaios que poderiam vir através dos rios navegáveis que atravessam a região. O local onde se ergueria Jataí, futura Jataizinho, era considerado estratégico para isso, de modo que seus primeiros habitantes foram soldados, índios e habitantes de regiões próximas.

Embora o registro dos primeiros habitantes seja de 1934, pode-se dizer que Ibiporã ocupa a posição de segundo povoamento mais antigo, já que antes desta data já existia no local, ao lado dos índios, a presença de pessoas que vieram para a região em razão da Colônia Militar de Jataí. Seus primeiros habitantes deram-lhe este nome em razão da existência no local de um ribeirão que já era conhecido como Ibiporã, palavra de origem tupi que significa terra (ibi) bonita (porã).

A terceira posição é ocupada por Tamarana, cuja formação data de 1915 com a vinda de paranaenses do sul e do norte velho para iniciarem no local a criação de porcos. Tamarana, em dialeto kaigangue, indica “arma de Guerra - clava feita de madeira”. Este nome, dado pelos índios Kaigangues que até hoje habitam suas terras na Reserva Indígena Apucaraninha, foi mantido em seu processo de desenvolvimento e após tornar-se município.

A quarta e a quinta posição são, respectivamente, de Cambé e Londrina, existentes desde final da década de 1920. Em 1927 encontra-se documentada a substituição do antigo nome de Cambé – Água da Aliança – por Vila de Nova Dantzig, denominação escolhida em homenagem a seus primeiros habitantes que eram procedentes do Porto de Dantzig – Alemanha. Segundo consta em www.cambe.pr.gov.br, a designação de Vila de Nova Dantzig foi alterada para Cambé em 1944 em função de um decreto do governo do Estado que determinava mudanças nos nomes das cidades que fizessem menção aos países que figuravam como inimigos na segunda guerra mundial, o seja, Alemanha, Itália e Japão.

Diferentemente de Cambé, Londrina já nasceu com esta denominação, que significa “pequena Londres”. Este nome é uma referência à nacionalidade inglesa dos responsáveis pela empresa colonizadora da região, de quem foi a autoria dos projetos que deram origem à cidade, em 1929 como núcleo urbano planejado.

No que se refere a Rolândia, o sexto povoamento mais antigo, sua origem é registrada em 1932, quando ali chegaram os primeiros colonos alemães. Inicialmente denominada de Gleba Roland, homenagem dos colonizadores ao guerreiro medieval Roldão ou Roland, passou posteriormente a designar-se Rolândia – Terra de Roland.

O desenvolvimento desses municípios associa-se à atuação da Companhia de Terras do Norte do Paraná, subsidiária da firma inglesa Paraná Plantations Ltd. que, a partir de 1924, encarregou-se do loteamento das terras da região norte do Paraná. Atuou também como elemento contribuidor, a Companhia Ferroviária São Paulo – Paraná que, a partir dos anos de 1930, estendeu suas linhas da cidade de Cambará às localidades recém fundadas, favorecendo o crescimento das mesmas

À atuação da Companhia de Terras do Norte do Paraná associa-se igualmente as características dos pioneiros da região da região metropolitana de Londrina. Além de migrantes vindos de outros Estados brasileiros, em particular de São Paulo, de Minas Gerais e do Espírito Santo, os primeiros colonos eram imigrantes alemães, japoneses, italianos, espanhóis, dentre outros, estimulados pela propaganda intensiva feita pela citada companhia para estimular a ocupação das terras. Nesta propaganda, exalta-se a fertilidade do solo para a agricultura, em particular para o cultivo do café, e prometia-se aos interessados vários benefícios como, por exemplo, transporte gratuito para os colonos e assistência técnica e financeira.

Desse modo, o desenvolvimento inicial se deu em torno de uma atividade agrícola: o cultivo do café que tornou a região uma das maiores produtoras nacionais até meados da década de 1970 quando, em razão da grande geada negra de 1975 e das fragilidades da política agrícola, sofre uma forte inflexão. Já neste então Londrina figurava como cidade mais populosa da região e como pólo da mesma, o que se mantém atualmente.

2. A REALIDADE DA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA - PARANÁ

Como dito, Londrina se mantém ainda hoje como cidade mais populosa da região metropolitana, como demonstra a tabela abaixo.

POPULAÇÃO RESIDENTE DA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA POR MUNICÍPIO (ORDEM ALFABÉTICA)

MUNICÍPIO
ZONA RURAL
ZONA URBANA
TOTAL
Cambé 6.242 82.072 88.314
Ibiporã 3.012 39.170 42.182
Jataizinho 1.010 10.315 11.325
Londrina 13.585 433.264 446. 849
Rolândia 4.763 44.641 49.404
Tamarana 5.298 4.965 10.263
TOTAL 33.910 614.427 648.337

Fonte: Dados do ano de 2000, disponíveis nos seguintes sites: www.rolandia.pr.gov.br, www.pr.gov.br/turismo, www.paranacidade.org.br/municipios, www.londrina.pr.gov.br, www.ibipora.pr.gov.br

Como demonstra a tabela, Londrina assume o primeiro lugar em termos de número de habitantes, seguida, em ordem decrescente, por Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho e Tamarana. A partir destes mesmos dados verifica-se que a região detinha, no ano de 2000, uma população total de 648.337, sendo 5,23% na zona rural e 94,77% na zona urbana.

Na relação entre rural e urbano, o município que concentra maior número de habitantes nesta última zona é Londrina com 96,6%. Em seguida situam-se: Cambé com 92,93% (7,07% na zona rural); Ibiporã com 92,86% (7,14% na zona rural); Jataizinho com 91,08 (8,92% na zona rural); Rolândia com 90,36 (9,64% na zona rural) e Tamarana com 48,38% (51,62% na zona rural).

Percebe-se, em decorrência, que a maior população rural é detida por Tamarana, o que pode ser explicado pela prevalência da produção agropecuária neste município. Dentre os pesquisados, é em Tamarana que se registra a maior participação deste setor no Produto Interno Bruto (PIB) do município, atingindo 42,21%[1]. Obedecendo a mesma lógica, a menor participação é a de Londrina com apenas 3,21%.

No geral, o setor agropecuário assume ainda uma importância significativa na economia regional. Vale dizer, apesar da citada crise que o cultivo do café vivenciou desde meados da década de 1970, levando praticamente à erradicação desta cultura na região norte do Paraná, o setor agropecuário se mantém significativo nos dias atuais. Dentre as atividades dominantes estão a avicultura, a pecuária bovina e a produção de soja, de trigo, de milho e de cana-de-açúcar.

A natureza desta produção é outro elemento que condiciona a desproporção entre habitantes da zona rural e da zona urbana. Dentre as atividades principais, observa-se a prevalência daquelas que, como a soja e a pecuária bovina, demandam baixa utilização de mão de obra. Isso, associado à crescente mecanização das lavouras que se registrou há algumas décadas, também faz com que boa parte da população urbana destes municípios esteja empregada na produção agrícola como trabalhadores rurais volantes, ou seja, como mão de obra utilizada apenas em fases específicas da produção, particularmente na época do plantio e da colheita, permanecendo desempregada ou em sub-empregos na maior parte do ano.

No setor secundário da economia, Cambé figura como o município mais industrializado, contando, segundo o site www.cambe.pr.gov.br, com cinco distritos ou áreas industriais e 600 estabelecimentos, 59,83% deles ocupando uma área de 101 a 500m2 (médio e grande porte). De acordo com o IBGE, dominam no município a indústria química, mecânica, de matéria plástica, de produtos alimentares e de bebidas, o que, em certa medida, justifica a grande proporção de residentes na zona urbana – os já mencionados 92,93% que colocam como segundo município da região em termos número de habitantes no núcleo urbano.

Algumas destas atividades industriais existentes no município de Cambé também estão presentes nos demais da região metropolitana, acrescidos da indústria textil, de produtos minerais não metálicos, de vestuário, de mobiliário e de couros, peles e produtos similares. Porém, é mesmo em Cambé que a participação do setor industrial no Produto Interno Bruto de cada município é maior, chegando a 68,57%. Em seguida, localizam-se, na ordem, Ibiporã com 27,41%, Rolândia com 22,98%, Londrina com 21,22%, Jataizinho com 18,97% e Tamarana com 18,08%.

No que se refere ao setor terceário, a participação no PIB dos municípios é a seguinte: 21,41% (Cambé), 61,57 % (Ibiporã), 55,66 % (Jataizinho), 75,68% (Londrina), 68,52 % (Rolândia) e 31,64% (Tamarana). Como se observa, o maior percentual é o de Londrina, o que se associa ao fato da mesma figurar como cidade pólo da região, principalmente no que se refere ao setor de serviços. Por esta condição, é empiricamente verificável o grande afluxo de moradores da região, não só metropolitana, para utilizar-se de seu forte comércio, com seus 5.745 estabelecimentos varejistas e 719 atacadistas, além dos 1.232 de serviços.

O afluxo também se justifica por Londrina comportar o maior número de equipamentos sociais na área do lazer, da educação e da saúde. No tocante a esta última observa-se, a partir de dados de 2004 disponibilizados pelo IBGE, que se localizam nela 83,6% dos estabelecimentos de saúde, sendo que este percentual sobe para 95,54% quando se trata daqueles que comportam internação. Sem os 193 estabelecimentos de Londrina (47 privados e 146 públicos), a região metropolitana contaria apenas com 18 unidades (12 privadas e 6 públicas), o que representaria uma demanda próxima de 38.000 pessoas para cada estabelecimento público que preenche esta condição.

De modo mais concreto, sem os 1.512 leitos existentes em Londrina, 1.085 dos quais podendo ser utilizados por usuários do SUS, a região contaria somente com 483. Destes, são disponibilizados ao SUS apenas 379: cerca de 1.700 pessoas para cada leito. Mesmo tomando a região metropolitana como um todo, a média não é confortável: 442,48 pessoas por leito disponibilizado pelo SUS, número acima da média do Estado do Paraná que é de 419,32.

Portanto, no geral, os serviços de saúde são insuficientes na região, mesmo em termos numéricos. Esta realidade se mostra igualmente nos serviços e equipamentos de saúde, haja vista que boa parte dos municípios não conta com aparelhagem importante para realização de diagnóstico ou de terapia. É o caso, por exemplo, dos tomógrafos e dos equipamentos de hemodiálise ou destinados a terapia por radiação que inexistem em todos os municípios da região, com exceção de Londrina. Segundo o IBGE, nela estão os 08 tomógrafos, os 80 aparelhos de hemodiálise e os 09 equipamentos de terapia por radiação.

Como elemento complicador, há casos em que não se chega ao estágio total inexistência, mas de número reduzido ou insuficiente. Exemplos são os equipamentos para manutenção da vida (1.016 em Londrina contra um total de 169 nas demais cidades) e os estabelecimentos públicos de apoio à diagnose e terapia: Londrina com 05 e Ibiporã, Rolândia e Cambé com um cada.

Londrina também se destaca na área de educação, em particular no referente ao ensino superior. Nela se concentram 08 dos 09 estabelecimentos existentes na região, sendo este um outro elemento de reforço a sua posição de cidade pólo. Nos demais níveis de ensino a rede também é vasta: 534 estabelecimentos, divididos em 55 no ensino médio, 193 no ensino fundamental e 286 na educação infantil.

Porém, quando se leva em conta a relação entre estabelecimentos públicos e privados, estes dados perdem, em certa medida, o seu destaque. Nesta relação, o pior quadro é do ensino superior, uma vez que dos oito estabelecimentos, apenas um é de natureza pública (estadual), estando os demais 07 (87,5%) nas mãos da iniciativa privada. Nos demais níveis de ensino, o sistema público de Londrina assim se apresenta: 30,77% da rede de educação infantil, 75,65% da rede de ensino fundamental e 76,36% da rede de ensino médio.

Embora estes percentuais no concernente ao ensino fundamental e médio não deixem de ser expressivos, colocam Londrina na condição de pior município da região neste quesito. Somando-se os destinados ao ensino fundamental e médio e estabelecendo uma comparação entre públicos e privados, a situação, em ordem decrescente, é a seguinte: Tamarana – rede 100% pública; Cambé – 92,3% pública; Jataizinho – 90%; Ibiporã – 86,2%; Rolândia – 84,2%; e Londrina 75,8%.

Este dado revela uma contradição. Paradoxalmente, os municípios que apresentam a maior proporção de escolas públicas, o que, a princípio, garantiria um maior acesso da população à educação, são também os municípios que detém os maiores índices de pessoas sem instrução ou com apenas 01 ano de estudo: em Tamarana este índice atinge 18,17% e, em Jataizinho, 13,14%. No conjunto, estes índices são os seguintes:

PESSOAS COM MAIS DE 10 ANOS QUE NÃO POSSUEM INSTRUÇÃO OU COM 01 ANO DE ESTUDO (POR MUNICÍPIO E EM ORDEM ALFABÉTICA )

MUNICÍPIO NÚMERO DE PESSOAS PERCENTUAL
Cambé 6.566 9,08
Ibiporã 3.173 9,17
Jataizinho 1.180 13,14
Londrina 25.284 6,81
Rolândia 3.982 9,70
Tamarana 1.379 18,17

Fonte: Dados do número de pessoas referente ao ano de 2004 e disponíveis no site www.ibge.gov.br. Percentual obtido mediante cálculo sobre o número total de pessoas na faixa etária de mais de 10 anos , também no ano de 2004 e disponível no mesmo site.

Com este quadro, o total de pessoas de com mais de dez anos que não possuem instrução ou apresentam apenas um ano de estudo é de 41.464 na região metropolitana, implicando em uma média de 7,76%. Esta média é melhor do que a do Estado do Paraná, na medida em que, a partir das informações colhidas pelo IBGE, verificamos que 9,2% de sua população se encontrava nesta situação.

Na comparação com a realidade nacional, a média da região é ainda melhor. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2004, a população brasileira era de 182.060.108 habitantes, 149.759.797 dos quais na faixa etária de 10 anos ou mais. Destes, 16.973.674 não possuíam instrução ou tinham menos de 01 ano de estudo, o que resulta em um índice de 11,33%.

Em termos econômicos, apesar da crise que assola o Brasil como um todo, a região metropolitana de Londrina não se situa dentre os municípios mais pobres do país como demonstra a seguinte tabela de Produtos Internos Bruto per-capita:

PRODUTO INTERNO BRUTO E PER-CAPITA DA POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA (POR MUNICÍPIO E EM ORDEM ALFABÉTICA )

MUNICÍPIO PIB BRUTO EM U$ PIB PER-CAPITA EM U$
Cambé 239.264.404,60 3.118,43
Ibiporã: 53.026.141,79 1.446,83
Jataizinho 13.850.213,50 1.249,12
Londrina 1.031.968.955,47 2.560,04
Rolândia 169.447.295,03 3.968,23
Tamarana Dado não disponível Dado não disponível

Fonte: Dados do ano de 2000, disponíveis nos seguintes sites: www.rolandia.pr.gov.br, www.pr.gov.br/turismo, www.paranacidade.org.br/municipios, www.londrina.pr.gov.br, www.ibipora.pr.gov.br

Como se observa, o município de maior PIB per-capita é Rolândia. Em ordem decrescente estariam Cambé, Londrina, Ibiporã e Jataizinho. Entretanto, este alto PIB per-capita, não se reflete na renda dos habitantes da região. Dentre os 535.602 habitantes com mais de 10 anos, 194.202 não possuem nenhum rendimento, o que representa 36,26% desta população. Em termos de Paraná este segmento atinge 38,58%, ambos acima do percentual nacional que é de 34,17%. No concernente à faixa populacional que percebe alguma renda, assim se divide a população da região metropolitana de Londrina:

FAIXA DE RENDA DA POPULAÇÃO COM MAIS DE 10 ANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA (POR MUNICÍPIO E EM ORDEM ALFABÉTICA )

RENDA EM S. MÍNIMO MUNICÍPIOS DA REGIÃO METROPOLITANA E SEUS PERCENTUAIS
Cambé Ibiporã Jataizinho Rolândia Londrina Tamarana Média
Até 01 S.M. 12,92 17,24 22,19 13,76 11,03 22,98 12,25
De 01 a 02 S.M. 20,36 18,59 18,85 22,58 16,77 15,56 17,84
De 02 a 03 S.M. 10,42 9,11 8,23 9,30 9,24 5,43 9,32
De 03 a 05 S.M. 9,49 8,42 6,60 8,30 9,95 4,95 9,54
De 05 a 10 S.M 5,98 6,44 4,31 6,76 9,91 4,18 8,74
De 10 a 20 S.M 2,09 2,05 1,12 2,98 4,61 0,71 3,87
Mais de 20 S.M. 0,87 0,86 0,39 1,25 2,74 0,46 2,18

Fonte: cálculo efetuado a partir de dados de renda nominal por faixa etária, obtidos junto ao IBGE e referentes ao ano de 2000. Disponíveis em www.ibge.gov.br

Como fica demonstrado, em todos os municípios o menor percentual é da população que tem renda igual ou superior a 20 salários mínimos (R$ 7.000,00 em valores atuais), com a percentagem aumentando em relação inversa à renda. Ou seja, é gradativamente maior a percentagem de pessoas que detém menor renda, de forma que a maior concentração se encontra na faixa de até dois salários mínimos. Vale dizer: 30,1% da população de mais de 10 anos da região metropolitana, um total de 161.165 pessoas, recebe entre 350,00 e 700,00 reais, 10% do valor daquele acusado entre os de maior renda. A situação por município é demonstrada a seguir.

NÚMERO E PERCENTUAL DE PESSOAS DA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA QUE RECEBE ATÉ 02 SALÁRIOS MÍNIMOS MENSAIS

MUNICÍPIOS POPULAÇÃO NA FAIXA DE RENDA DE ATÉ 02  SALÁRIOS MÍNIMOS
TOTAL DA POPULAÇÃO PERCENTUAL
Cambé 24.064 33,27
Ibiporã 12.406 35,84
Jataizinho 3.686 41,04
Rolândia 14.912 36,34
Londrina 103.172 27,80
Tamarana 2.925 38,54

Fonte: cálculo efetuado a partir de dados de renda nominal por faixa etária, obtidos junto ao IBGE e referentes ao ano de 2000. Disponíveis em www.ibge.gov.br

A partir destes dados, fica claro que o município mais pobre, em termos de renda de sua população, é o de Jataizinho. Considerando também o expresso na tabela anterior, 41,0% da população de Jataizinho se encontra na faixa de até dois salários mínimos, enquanto apenas 10,9% se localiza na faixa intermediária de 3 a 10 e 1,5% na faixa de mais de 10. Por esta mesma lógica, em segundo lugar estaria Tamarana com, respectivamente, 38,5%, 9,1% e 1,2%.

As duas tabelas demonstram igualmente uma forte desigualdade social nestes municípios, uma desigualdade que, todavia, não é particularidade deles. Traçando um paralelo entre as realidades regional, estadual e nacional, chega-se aos seguintes resultados:

COMPARAÇÃO DE FAIXA DE RENDA DA POPULAÇÃO EM NÍVEL REGIONAL , ESTADUAL E NACIONAL

REGIÃO ATÉ 02 S.M. DE 03 A 10 S.M. MAIS DE 10 S.M
Região Metropolitana de Londrina 30,09% 18,28% 6,05%
Estado do Paraná 33,31% 15,24% 3,01%
Brasil 42,24% 12,56% 2,77%

Fonte: cálculo efetuado a partir de dados de renda nominal por faixa etária, obtidos junto ao IBGE e referentes ao ano de 2000. Disponíveis em www.ibge.gov.br

Em assim sendo, constata-se que a realidade da região metropolitana de Londrina é menos crítica se comparada à existente no Paraná e no Brasil. No entanto, isto não significa uma situação cômoda e muito menos ideal. Se somarmos os que estão na faixa de até 02 salários mínimos com aqueles que não possuem nenhuma renda, temos um número de 355.367 habitantes, representando 66,35% dos que estão na faixa de 10 anos ou mais. Neste quesito, a mais grave realidade é a de Tamarana com 84,27% da população nesta condição. A ela seguem, Jataizinho (79,37%), Ibiporã (73,12%), Rolândia (71,41%), Cambé (71,14%) e Londrina (63,64%).Com o quadro até aqui descrito, entendemos que é inquestionável que a maioria da população residente nos municípios da região metropolitana de Londrina enfrenta sérias dificuldades para satisfazer suas necessidades em áreas consideradas essenciais como saúde, educação, habitação, vestuário, transporte, lazer e alimentação. É também inquestionável a existência de uma parcela significativa dela que enfrenta dificuldades para sobreviver – alcançar uma sobre vida.

Por decorrência, as consequências deste quadro se configuram em demandas explícitas (ou reprimidas) para o poder público em torno de políticas sociais, demandas essas nem sempre supridas ou mesmo enfrentadas. É no âmbito municipal, em particular nos órgãos ou instituições existentes, que estas demandas se expressam com toda a crueza, assim como a correlação desfavorável entre demanda e atendimento.

Muitas dessas instituições ou órgãos empregam assistentes sociais e outros profissionais a quem frequentemente se atribui a competência de “atuar sobre o social”. Nesta medida, é a eles que essas demandas chegam inicialmente ou, se assim não o for, é deles que normalmente é cobrada uma intervenção sobre as sequelas da questão social, suscitadas fora destas instituições/órgãos: na própria estrutura social geradora e mantenedora dessas sequelas.

 

BIBLIOGRAFIA

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ROLÂNDIA. Disponível em www.rolandia.pr.gov.br. Acesso em 22 de Março de 2006

 

NOTAS

[1] Este dado, assim como os demais que são expostos no decorrer desta comunicação, foram obtidos no sites oficiais dos municípios e do governo do Estado do Paraná, assim como no do IBGE.  No tocante a Tamarana, porém, havia uma significativa ausência de informações, incluindo nisso o percentual de participação dos setores agropecuário, industrial e de serviços no PIB municipal. Nesta situação específica, calculamos a percentagem com base nos valores nominais da produção destes setores, disponibilizada em www.ibge.gov.br, acessado em 20/05/2006.

 

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